Crônicas, Senta que lá vem história

Minhas caminhadas insanas

Comecei minha carreira como maratonista logo cedo, na 7a série já demonstrava ser um corredor nato, ou um futuro vagabundo desempregado. Ainda estava naquela fase de estudar a tarde. A escola ficava a 20 minutos de caminhada, eu começava a me aprontar quando era 12:00, o sinal batia 1:00. Na teoria era um bom tempo pra fazer tudo e chegar na escola a tempo, não pra mim.

Nesta fase da minha vida era de uma completa lerdeza para me arrumar, não mudou muita coisa hoje em dia, mas naquela época era anormal. Pra começar almoçava em frente a TV, computador nem existia pra mim ainda era coisa de filme. Gostava de futebol na época, e assistia os dois programas a respeito do esporte, o que durava uns 30 minutos, ao final do ultimo programa tinha comido metade da comida e ela já se encontrava fria. Banho? Tomava muito raramente antes de ir pra escola, sei lá, dava uma preguiça de entrar de baixo d’agua. Entre colocar o uniforme, escovar os dentes, arrumar o cabelo(isso quando eu arrumava, e acreditem ir sem arrumar o cabelo pra escola no meu caso é algo bem tenso) já iam mais 10/15 minutos do meu tempo, acabava saindo de casa faltando 10 minutos para o toque do sinal.
Naqueles tempos remotos, não tinha a mordomia de chegar a hora que quiser, sinal bateu o portão está fechando logo em seguida. O único jeito era correr, e muito.
Agora imaginem vocês, um garoto magrelo, correndo ao sol do 12, bonito né? Nunca fui de soar, então não chegava a ficar com aquelas marqueritas em baixo do braço, mas era no mínimo tenso.
“No meio do caminho tinha um subida fudida, tinha um subida fudida no meio do caminho.”

Olha eu voltando da escola

No 1o ano corria de final de semana com um amigo, nada que me fizesse voltar a ativa. Mas sei lá, os fatos posteriores demonstram que eu deveria investir na carreira.

Essa longa estrada da vida…
Tempos atrás teve uma
semana de palestras e mini-cursos em uma faculdade, uma delas tratava sobre multi plataformas na web. Um amigo me chamou e decidi ir. A palestra estava marcada para 9h, com termino as 22h e 30. Como nunca tinha ido na faculdade decidi me informar antes, perguntei para algumas pessoas da classe como faria pra chegar lá, mas as pessoas tem problemas em dar informações, tudo que me disseram foi: Pegue o ônibus que faz o caminho via castelo branco.
Descobri qual era o nome do ônibus e comecei a me arrumar, as 8h e 10 estava saindo da minha casa, cheguei ao ponto 5 minutos depois. O ônibus demorou para passar, e isto me preocupava, pois ainda faltava mais um, que me levaria definitivamente para a facul. Um ônibus então apareceu e me levou até o terminal, 8h 50 estava eu lá com aquela cara de “não vou chegar a tempo”. Me informei e o ônibus só viria as 9h mesmo. No meio da espera encontrei uma amiga, que me disse segundo ela onde deveria descer: Você vai ver a faculdade, ai você desce.
Bem, quando ela me falou isso, pensei que veria uma caixa d’agua com o nome da faculdade ou algo assim. O ônibus chegou e estava caindo aos pedaços, era o primeiro da fila e logo sentei no banco mais próximo do motorista, decidi não perguntar nada, mas vendo o público que frequentava o ônibus era bom ficar perto de alguém que pudesse me socorrer, sei lá vai que né…

Começou então a viagem, e eu ali, sempre atento a um possível lugar com o nome da faculdade, mesmo depois de terem me falado que era longe. O ônibus fazia um baralho infernal, tremia muito e seus bancos eram sem forro algum, sendo que um estava saindo do lugar.
O ônibus entrou então na tal rodovia castelo branco foi indo e indo, comecei a ficar meio preocupado.
“E se eu passar um pouco do ponto? melhor perguntar pro motorista”

O barulho parece que só aumentava, e o meu problema com dicção não ajudaria muito nessa hora. Colei na catraca e me dirigi ao motorista:

“Motorista a Facens está longe?”
“Que?”
“A FACENS… TÁ LONGE?”
“Xiiiiiii, já passou a um tempinho meu amigo, desce no próximo e volta pra trás”

Porra!

E se alguém me pegasse pra me trassar?

Minha unica alternativa era caminhar de volta, naquela estrada escura com alguns carros passando, o que não tirava meu medo de aparecer um filha da puta pra querer me traçar.
Vocês podem até me questionar por que não fui até o ponto final do ônibus, sério, o ponto do final daquele ônibus é na puta que o pariu, a estrada era mais segura do que lá.

Algumas indústrias ficam a margem da rodovia, mas aquela hora, elas já estavam fechadas, nem os porteiros estava lá, PQP.  Até que depois de um pouco de caminhada, vi um homem no orelhão, era minha unica alternativa. Mas pô, o que um cara fazia no orelhão de beira de estrada aquela hora? Tava com o cu não mão, mas tive que ir falar com cara pra pedir informação. Enquanto eu ia até ele pensava nas milhares de possibilidades que poderiam me ocorrer, mas fui firme e finalmente cheguei no orelhão. Ele terminou a ligação e eu perguntei a ele se a faculdade estava longe, ele disse que não, que se andasse mais um pouco ia ver um viaduto e que virasse a direita.

Fiquei feliz com a informação e voltei a caminhada. Acontece que o cara era otimista, eu fui caminhando e caminhando, e nada do maldito viaduto aparecer, 20 min depois vi a parte superior do tal, o que não queria dizer que estava perto, estava muito longe ainda. No meio do caminho fui cantando várias musicas para passar o tempo mais rápido, descobri que estrada é um lugar bom para pensar, se não fosse tão tarde teria sentado e curtido uma brisa, faz mal não fica pra um próxima.

Finalmente cheguei no viaduto, exausto com os pés queimando. Já nem lembrava pra que direção deveria andar, pedi informação para uma mulher no ponto que me informou como deveria chegar a faculdade. mais 15 minutos de caminhada e estava no portão da faculdade, entrei e procurei pela sala, o relógio marcava 21:55. Achei a sala mas não tive coragem de entrar fiquei sentado na mureta ouvindo dali mesmo.

Dia desses irei pra são paulo a pé, essas coisas já estão ficando cada vez mais banais na minha vida. E quando acaba o passe? PQP. Lá vai eu treinando para maratona no final do ano.
Tenho até uma vontade de participar, só fico pensando na minha fantasia.

A minha cor é desfavorável a vitórias

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3 comentários sobre “Minhas caminhadas insanas

  1. Alex.S.R disse:

    Se vc tivesse ido na primeira palestra sobre RFID não teria ocorrido a “caminhada da quase foda involuntaria” hahahhahaha. Alias a palestra sobre identificação por rádio frequência foi a melhor (A palestrante também).

  2. Pingback: Saga da conta da Riachuelo « Mas que poxa

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