Crônicas, Senta que lá vem história

Saga da conta da Riachuelo

Prestar favor para os outros é uma merda não é mesmo? Por que normalmente você só faz pra não ficar chato, e vem cada coisa maldita, comprar pão, levar o cachorro pra passear, emprestar grana. Emprestar sua mulher pra eu dar umazinha você não quer né?

Pois bem, dia desses minha prima me ligou por volta das 9 da noite, me perguntando se não poderia ir até o shopping, que fica na puta que o pariu pagar uma conta pra ela. Não gosto de dizer não, as pessoas ficam putas quando você fala “NÃO”, e ainda te pergunta “por que?”, e você nunca pode falar “por que não estou afim”. Então o besta aqui aceitou fazer a árdua tarefa de caminhar uma subida imensa para pagar uma conta.

“Pobre se pudesse pagava o cheque especial com outro cheque especial.”

Na segunda-feira sai do técnico meio infeliz, sabendo que teria que andar pra caramba e pagar a conta. Andar não era o maior dos problemas, o que eu odeio mesmo é pagar conta,pegar  fila, ver gente feia, pobre ahhh kkkk.

Cheguei na loja e fui direto ao lugar para pagar a conta, se fosse uma mulher, teria olhado a nova coleção inteira da loja antes de pagar, e no minimo teria gasto uns R$ 482,00.

Não tem nada de útil na compra dela

Entrei na loja todo saltitante pimpão, querendo me livrar o mais rápido possível daquele fardo. Fui direto ao caixa, não tinha muita gente na fila para minha sorte, por que né, fila de banco ou caixa é a pior coisa da face da terra, tirando claro o ônibus. Imagine você, querendo dar uma passada rapidinha no banco, pra conferir um saldo, pagar uma conta sei lá (só vou no banco pra pagar a conta da minha mãe), quando você chega na fila encontra com aquele típico paulistano que é mostrado em novela: o motoboy.
Pronto, seu rápido passeio no banco se torna uma viagem a um destino de espera e cansaço. O “boy” está apenas cumprindo o papel dele, pagando e encaminhando milhares de contas de uma vez só.

"Dois motoboys, a classe mais baixa da sociedade..."

Porra na onde é que eu tava? Na fila né?

Voltando.

Minha vez de pagar a conta chegou, tirei a carteira do bolso e peguei o papel que julgava ser o boleto, entreguei o papel para a caixa. Falando em caixa, já percebeu que tirando a caixa do mercadinho da esquina do seu bairro, todas as funcionarias de até 26 anos são de uma forma geral “bonitas”? Puta mundo injusto meu. Vou fazer uma dissertação sobre o espaço das pessoas feias na sociedade, ou vocês acham que uma pessoa feia ganha tanto quanto uma bonita? Deveria ser criado uma cota pra gente feia, sério.

Foco.

Como estava dizendo, entreguei o papel pra caixa, ela olhou, olhou mais um vez e me entregou papel. Falou algo que não consegui compreender muito bem, peguei o papel pensando “Deu merda”. Olhei o papel e porra, era o comprovante do meu pedido na livraria, que falando nisso não chegou até hoje.
Olhei com aquela cara sem graça, e disse que talvez estivesse na mochila. Revirei ela sem sucesso, olhei mais uma vez e disse que não tinha achado a conta, ela até que tentou me ajudar, perguntando se eu não sabia o CPF do dono da conta. Me diz agora, quem grava o CPF dos outros, eu não sei nem o meu direito.

Voltei pra casa com o rabo entre as pernas, já pensando no que minha mãe iria dizer sobre responsabilidade, ética e cidadania organizacional (?). E o pior, se não tivesse perdido a conta, teria que voltar lá no outro dia, saco.

A bronca esperada não ocorreu, mas ainda tinha que ir lá pagar a conta no outro dia, por que o boleto tinha ficado sobre a mesa. Faz mal não, no outro dia estava eu terminando de subir a rua que dava direto no shopping e conferindo se estava tudo correto. O boleto estava, o dinheiro também, bem o dinheiro que minha prima me deu estava lá na carteira.

Mais uma vez estava eu lá na fila do caixa, retirei tudo do bolso e entreguei para a mulher. Ela olhou o boleto, digitou naquela computador aparentemente bonito, mas todo mundo sabe que embaixo se encontra um PC de 2000. Disse então:

– R$ 140,00

Peguei a carteira e vi que havia algo errado, por que duas notas não dão R$ 140,00, a não ser que no mínimo uma nota fosse de R$ 100, mas na minha mão esse tipo de coisa não passa.
Haviam  R$ 70,00 na carteira, o que me assustava. “Será que perdi dinheiro? Alguém roubou! Não, lembro dela me entregando só essas notas mesmo”.
Dessa vez não foi eu quem cometeu a cagada, seria bom esfregar isso na cara dela, Rá.

Já sentiu a doce sensação de poder chegar para sua mãe e falar “Você deixou a manteiga dormir fora da geladeira”(por que afinal é sempre você quem faz isso)Então, foi bom falar pra minha prima que ela tinha feito uma cagada.
Por mais que tenha sido bom ter enchido o saco dela pela confusão, quem ainda ia tomar no cu era eu, afinal quem ia ter que subir a rua de novo? Quem ia chegar em casa tarde de novo? Jesus que não era.

Após ter subido, entrado na loja, conferido tudo estava ciente de que agora tudo daria certo.
Lá estava a caixa, sentada pacientemente, ou não. Eu caminhava triunfante até ela, totalmente disposto a pagar uma conta, que não era minha, mas que tinha me arranjado mais problemas do que o aranha.
O dinheiro e a conta estava na mão, o sorriso no rosto. Entreguei a conta, ela olhou e disse:

– Devido ao atraso, você vai ter que ir na central e falar com o gerente.

– Sério?

– Não, é que já é a terceira vez que você vem pagar essa conta, tinha que tirar uma com sua cara. Aqui está seu troco.

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2 comentários sobre “Saga da conta da Riachuelo

  1. Muito boa, essa, e gostei muito do seu jeito de escrever, um verdadeiro contador de histórias!
    Sorte que a mocinha do caixa era, além de bonita, bem humorada!

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