Sem categoria, Vivi e aprendi

Grão de areia

Tentando se sobressair dos outros, querendo se destacar em meio a muitos iguais a ele, onde poucos tem a chance de serem notados pois assim quis o mundo, que só os melhores fossem notados. Tentando de uma forma abrupta ser olhado, e fazer com que esse olhar mantenho-o vivo, já que viver está cada vez mais difícil manter-se vivo neste mundo louco.
Tentando, desesperado, o grão de areia rola.

Determinado a chegar a onde nenhum outro grão chegou, rola por cima dos outros grãos com velocidade, a declinação do monte o ajuda e faz com que quanto mais ele role mais ele ganhe velocidade.
Ele não olha para os lados, não há lados. Também não olha para trás, isto só o atrasaria.

Os outros grãos só o observam, incrédulos com a capacidade  que o outro grão tem de fujir dali, uns debocham diz que é um jovem e louco grão que não sabe de nada das coisas desta vida, Logo irá parar, comenta o grão mais velho a quem lhe foi conferido com o tempo toda uma sabedoria que lhe era capaz e possível.
Amontoados uns sobres os outros, eles tentam se informar sobre o acontecimento que agita a superfície.  Para alguns é uma oportunidade de chegar ao lugar reservados aos sábios e experientes grãos, lugar de repouso onde não é mais necessário suportar peso, mesmo que quase nulo de nenhum outro grão, pois mesmo o peso sendo pouco, a pouquidão se amontoa e pesa sobre a base, logo a base constituída por muitos é responsável pela parte mais importante do monte, é cabido a ela sustentar a superfície, onde ficam os belos e grandes grãos que agora só fazem desfrutar das mordomias que o topo lhe traz.

O grão, ficará conhecido assim pelo resto da sua vida, nada até então mudaria sua insignificante forma de vida, já que este não foi quantificado nem qualificado. Apenas foi determinado, desça, seja um grão. Mas o grão revoltado, decidiu que o que foi feito poderia ser desfeito, contrariado assim todas as escritas antigas de seu povo, a quem acreditava ele ser feito unica e exclusivamente para impedir que os outros grãos rolem ladeira a baixo.

Por que eis o grande sentido da vida dos grãos, rolar. Rolar sem limites, sem vergonha até que não haja mais caminho, e quando não houver mais caminho, que se faça um novo pois não se pode para de rolar.

Este era o sonho do grão, que rolou.

 

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