Crônicas

Azar: Meu fardo

Grande e pesado que ninguém quer carregar.

Se alguém me pedisse para que eu exprimisse em uma palavra algo que me faz ter raiva do mundo, eu diria: Ônibus.

E isso não é coisa que ‘já já passa’, é duradoura essa raiva. Todo santo dia, há quatro anos acontece algo que me faz ficar frustrado no ônibus.
As vezes começa de manhã, quando passam 10 ônibus e nenhum deles param por estarem lotados, não lotados tipo ‘não tem mais lugares para sentar’, lotados tipo ‘o próximo passageiro só se for no teto’.

Parando o ônibus

10 ônibus seguidos sem parar eu tinha que tomar uma atitude

Quando finalmente a belezoca para, eu entro e fico na parte da frente me espremendo e fazendo altas acrobacias pra poder continuar em pé.

É claro que nem todo dia é assim, tem aquelas raras vezes que eu consigo entrar no ônibus e ficar em um espaço confortável, e muitas poucas vezes (duas esse ano), Deus dá um sinal de que possa existir e eu consigo sentar.
É raro, mas acontece.

Só que eu sou um filho da puta também e nunca to satisfeito com o lugar que eu sento. Se sento no corredor era melhor nem ter sentado, sempre vem uma véia, que fica rossando em você, como quem implora pra sentar, ai o que eu faço? Durmo.
Cansei de dar lugar pra idoso, e ter que ficar segurando minha mochila pesada, e a véiarada quase nunca se oferece pra segura-la.

Nas raras vezes que eu consigo sentar na janela, é no bendito banco amarelo, e ninguém faz muita questão de sentar do meu lado. Nem sou tão fedido assim, e nem é proibido sentar naquele banco, só não sente se tiver alguém das plaquinhas (gravidas, idosos, deficientes físicos, obesos, mulheres com criança de colo, funkeiros, nazistas, entre outros). Eu não me preocupo muito em sentar lá, já que em geral quem se ferra é quem sentou no banco do corredor.

O problema são as crianças que sentam ao meu lado, e sei lá, acham que meu cabelo é brinquedo, puxa estica solta enrola.

Foi ai que dia desses, uma criança (vamos chama-la de Pedro – nome fictício) sentou do meu lado junto com a sua mãe (Maria Estela) e decretou que aquele era meu dia de sofrer.
Olha que cabelo maneiro esse cara têm, deve ter pensado Pedro, e começou a puxa-lo delicadamente, como quem puxa gato da árvore.
‘Pedro, para de puxar o cabelo do moço, ai moço se me disculpe viu’
‘Magina ¬¬ ‘
‘Qual é seu nome moço?’
‘Amadeu (meu nome fictício)’
‘Me disculpe viu seu Amadeu, essas crianças de hoje em dia sabe como é’
‘É… são todas mal educadas’

Por sorte era minha hora de descer, acho que ela tomou uma raiva de mim.

Mas antes teve uma pausa pra foto ‘finge que ta feliz seu peste rsrs’:
mãe e criança no ônibus

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