Crônicas

Nova classe média

O pai do meu amigo tem uma BMW, que acende o farol igual ao do comercial. É um carro muito bonito.
Esse meu amigo é muito popular na faculdade, até mesmo entre os professores.
Às sextas ele vai para a balada e aos sábados também. No domingo de manhã vai para a igreja. Depois sempre rola um churrasco na casa dele, eu ainda não fui em nenhum.
Na segunda ele me conta que pegou 5 na sexta e 7 no sábado. No domingo ele xavecou uma.
Ele acaba sempre chegando meio tarde na aula, quando vem é claro. Esse meu amigo está sempre envolvido em coisas da faculdade, como as festas organizadas pela atlética.
Ele vai religiosamente todos os dias para a academia, seu santo é o Wey Protein.
Logicamente ele não trabalha, meu amigo é muito novo pra isso.
O pai desse meu amigo tem um sobrenome, daqueles bonitos com cara ser estrangeiro, italiano ou espanhol eu diria. O meu amigo herdou esse sobrenome.

Eu tenho um sobrenome também, mas sem ar de estrangeirismo.
Filho da filha do filho de escravos, que sem sobrenome nenhum adotaram o dos seus ex-senhores na hora do registro.
Herdei o Souza.

O meu amigo mora em um cultuado condomínio fechado, com piscina  aquecida.
Eu moro na zona norte e nada mais precisa ser dito.
Lá só tem gente do bem, aqui só tem trombadinha.
Eu, que sou trombadinha também nessa falácia, frequento a mesma faculdade que esse meu amigo.
A mensalidade sai do meu bolso, e do bolso do pai do meu amigo. Já que do bolso do meu amigo só sai a chave da BMW quando o pai dele empresta.

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