Contos

Colchão no chão

Choro baixinho. Tento engolir todo o barulho, enquanto a noite me engole também.
Parece que não durmo, parece que você não vai chegar nunca.
Sexta sempre é o dia mais distante da semana.
Segunda tem sempre o pior choro.

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Contos

Resposta

A gente?
A gente está em um labirinto e não sai dele.
A gente está em um labirinto e quer ficar um pouco mais nele, que é pra ter certeza.
Certeza que foi a escolha certa, que não vamos botar tudo a perder.
Perder a companhia um do outro, perder a admiração.

Nós estamos nesse impasse e não vamos sair dele por enquanto,
enquanto isso a gente morre um pouquinho a cada dia.
Nós estamos geograficamente errados, e sabe-se lá mais de que forma.

O carteiro que  vai até a tua casa sabe o final dessa história.

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Contos

Entardecer

Sabe aquele Sentimento que faz o sol ofuscar e apertar a lateral do olho?
Que faz coração começar a bater mais rápido, a boca ficar seca e as mãos tremerem?
Sabe, não sabe? Quando ao acordar você tem uma imagem fixa na cabeça, imagem bonita, doce e serena, acumulada com sensação de bem-estar.
Sentimento inebriado nas leves linhas do vulgar, mas, muito mais mergulhado no poço da inocência? Sabe este Sentimento, não sabe?
Sentimento que causa arrepio, que lhe faz ter calafrios, inunda nossos corpos de dopamina e serotonina?
O Sentimento bom, escrito com letra maiúscula como se fosse nome próprio. Sentimento inexplicável, que nasce sem ser ordenado, e não aceita ser comandado?
Que deixa as flores mais belas, as margaridas mais amarelas, e as rosas que não são rosas, sempre vermelhas?
Que fez Romeu e Julieta tomar a dose de veneno, e o mesmo ainda fez Camões salvar a sua obra?
Sabe, não sabe? Que provoca o sorriso no canto da boca? E deixa o olhar tímido, e as bochechas ruborizadas?
Sabe este Sentimento não sabe?
Mate-o! Antes que seja tarde demais.

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Contos

Could Exist

Eu sabia onde estava, e onde deveria ir. Só não sabia se eu realmente deveria.
Mas quando tudo está tão perto, e você não tem nada a perder, por que não?

Eu pensei em qualquer coisa, menos em como deveria me portar. Eu pensei nos problemas, e de certa forma nas soluções.
As luzes da noite refletiam minha sombra. E não me diziam nada. Tive medo de ficar ali para sempre, e principalmente, de ser descoberto.

E quando tudo ficou calmo, eu soube que era só agir como de costume. Lhe enganei.
Eu estava distante nove passos de qualquer coisa, e de lá, via-se quase tudo. Menos o que estava por vir.
Quisemos ir mais longe, e usamos a saída de emergência. O que não havia saída era aquela situação.
Mas ninguém interrompeu o brilho das estrelas.

Criamos mais tempo, mais situações, e mais formas.

O sol estava prestes a se levantar, então eu voltei.
Tranquilo, com uma certeza, mas sem nenhuma resposta.

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Contos, Música

Marrie

Você deu a resposta certa,
mesmo quando eu fiz a pergunta errada.
E eu lhe desejei tão bem…

Quis deixar de ser a estrela solitária no meio da noite.
Quis que você fosse minha companhia pra sempre.
Você foi a coisa mais certa que já me aconteceu,
ninguém nesse mundo é mais feliz que eu.

Lance seus verbos, suas emoções e sentimentos
mostre-me do que você é capaz
estou para desvendar seu mistério, então tome cuidado,
tudo que você esconde será revelado.

Não precisa se esconder,
não precisa temer o que lhe faz bem.

Quis deixar de ser eu,
quis deixar de sonhar.
Mas agora você está aqui
e três palavras não seriam o suficiente pra dizer o que eu sinto.

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Contos

Profumo

– A lágrima que escorre não é doce.

Ar com cheiro de qualquer coisa, fumaça, esgoto, pastel. Ar sem vida.
Alguém passa, uma desconhecida, que traz a tona velhas e boas memórias.

O doce e suave perfume que a moça traz, faz com que o moço encostado na grade procure por todos os lados a dona de tal cheiro, Será minha amada? Amada?

O perfume se esvai junto com a moça, não é das que marcam muito, nem a fragrância nem a moça, mas as lembranças ainda não irão durar por mais um tempo.

Pobre moço, reconstruindo passado  com o cheiro de um perfume.

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Contos

Lisie – Adulta

Lisie estava no banheiro, gilete em mãos e o braço cortado sangrando. A água, a música e a vida escorriam pelo chão. Estava nua, encostada na parede, e com lágrimas nos olhos.
Quando então gritei:
– Lisie
– Amie? respondeu ela com a voz fraca. Peguei de sua mão a gilete, desliguei o chuveiro e a enrolei em uma toalha, ainda no chuveiro, forcei com que me contasse o por que de tudo aquilo.
– Amie, com quem está falando? O que você fez no seu braço…
A voz atrás de mim, era minha mãe. Nunca entendi por que ela não conhecia Lisie.

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Contos, Senta que lá vem história

Lisie – Infância

As vezes se você entrar de repente, sem bater a porta e fazer qualquer barulho, você vai encontrar Lisie sentada debaixo do chuveiro enquanto a água e a música triste escorrem pelos cantos.

E em certos dias, Lisie dilacerava seu braço com a gilete, o sangue e a música triste escorriam por seu braço.
Lisie não aguentava a pressão do mundo, as vezes não aguenta nem a pressão do sangue correndo em suas veias. E Lisie descontava nela mesma, como se ela fosse a culpada.
Pobre Lisie.
E se alguém lhe perguntasse alguma coisa, diria que foi o cachorro, ou que caiu de algum lugar.
Mas Lisie não é uma garota má, é só alguém com problemas dos quais não encontra outros modos para se livrar. Ela é como qualquer outra pessoa, exceto por um detalhe.
Vejamos sua infância:

A pequena garota dos cabelos cacheados, que queria viajar pelo mundo com Amie, sua melhor amiga.

Lisie e Amie, a dupla inseparável. Quem ousaria separar as duas, era brincadeira de criança, quando ficar mais velha passa.
– Bom dia Amie, dizia a mãe de Lisie enquanto coloca mais um pote cheio de cereal para a amiga de Lisie, que tomava café da amanhã todos os dias com Lisie “Os pais delas saem cedo de casa”, era o que ela dizia para a mãe.

Amie era uma boa amiga para Lisie, teriam passado a vida inteira juntas, se não fossem as outras amigas de Lisie, quem simplesmente reijataram Amie.

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Contos

A Arte

O poeta subiu no palco soltou um verso, e logo foi interrompido.
A bailarina deu um passo e caiu.
O músico, soltou um acorde e logo desafinou.
O pintor, borrou antes mesmo da primeira pincelada.

Então o protesto tomou forma popular:
‘Mataram as artes!’, Gritavam pessoas de preto e branco nas praças, já que era proibido protestos nas ruas.

‘Arte não morre, se modifica, se revoluciona, se auto-regenera’, Gritavam do outro lado pessoas contrárias aos contras.

As duas partes ficaram tensas, de um lado o grupo que era contra as novas mudanças, do outro o povo contra ao que era clássico, por que antes de tudo, eles eram do contra.
Acabou num embate canastroso, onde as duas partes soltavam palavras ao vento,sem mero compromisso.

Virou matéria de jornal no dia seguinte.

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