Mesa

Mesa VII

Peguei uma folha de papel do caderno em cima da mesa e com nove passos, fiz um barco de papel.
Hoje, a água toma conta desse barquinho e ele está afundando aos poucos. Apesar de você dizer que não, eu sei que está. Olha essa água entrando pelo convés. Convêm acreditar, que com alguns ajustes ele dure mais um pouco.
Mas está afundando, eu sei.

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Mesa

Mesa VI

troquei a mobília e alguns sentimentos. troquei as certezas e alguns olhares.
troquei uns dizeres, umas figurinhas e uma carta.
fui trocar você, pois já não me servia mais, mas a garantia já havia terminado.
agora não sei se te coloco à venda ou se te coloco na calçada para alguém levar.

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Mesa

Mesa V

Durmo sozinho, não dou boa noite pra ninguém.
Na geladeira, metade de uma cebola e um coração frio.
No microondas, chá e uma cabeça quente.

No quarto minha cama de meio-solteiro,
em cima da mesa as cartas que você não mandou.

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Mesa

Mesa III

O telefone está fora do gancho, não quero ser acordado.
O sonho que se passa é nada verossímil.
A noite beija meus machucados.
*
Na cozinha pouca comida e nenhum pão de queijo.
E no quarto, tem você, minha única roupa.

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Mesa

Mesa II

Ele sempre quis saber quais eram os versos certos para se falar de amor.
Passou a vida tentando ver até onde iriamos por dor.
No meio das revistas empilhadas, uma peça do quebra-cabeça:
Um papel, uma carta, um rascunho que não rima.

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Mesa

Mesa I

Com lápis de cor e uma caneta azul, eu pintei alguns problemas.
Eles tinham além de cores, formas diferentes.
Estavam por todo canto. Espalhados pela casa, no trabalho, no ônibus e na faculdade.
A noite faziam festa e pela manhã também.
Quando partiam, deixavam um recado: Voltamos amanhã.

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