Crônicas, Senta que lá vem história

Chocolate

Aos 17 anos, eu descobri que stripper – dessas que vão até sua casa fazer show, era coisa de filmes como American Pie. Pelo menos isso é o que pareceu depois de algumas horas de busca na internet e nenhum resultado confiável. Você tem que ficar esperto quando está buscando essas coisas, tem que ter certeza da procedência da prestadora do serviço ou pode acabar sem alguns dentes se não achar algo que seja correto. Ou pior, acabar com um traveco na sua casa.
O Henrique ia fazer 17 anos em breve e a gente queria fazer uma surpresa para ele, mas depois de tanta procura e nenhum resultado, decidi que ia deixar de lado essa história. Até porque, no final das contas, nem teríamos grana para pagar uma stripper mesmo.

No final de semana que era aniversário dele, minha mãe foi viajar para Cotia. Com a casa livre, Pedro e eu decidimos que faríamos uma “Noite dos bons drink”(sic) e o homenageado seria o Henrique. Com direito a uma garrafa de vodka… e só.
Ninguém pensou em chamar garotas, porque a gente sabia que no final das contas garota nenhuma viria.
Então a festa, se é que se pode chamar disso, seria somente nós três.

Pedro e eu fomos ao supermercado e compramos a vodka, acho que era uma Smirnoff. No caixa o Pedro com medo que pedissem nosso RG, fez uma falsa ligação para o pai falando alguma coisa sobre o carro dele, carro esse que de fato não existia. O que ele não sabia é que eu tinha ido naquele supermercado justamente por que ninguém se importa se você tem 15 ou 18 anos, se vai entrar em como alcoólico ou até mesmo sair matando as pessoas, eles querem vender e ponto.
De qualquer forma saímos aliviados com a vodka para casa, nos vangloriando de como parecíamos adultos, apesar de na época não termo um resquício de bigode na cara.

O Henrique chegou um pouco depois de colocarmos a vodka no congelador. Ligou seu computador no meu home theater e começou a tocar algumas músicas eletrônicas estranhas. O Henrique sempre curtiu esse lance de ser DJ, fez até curso fora da cidade, mas não vingou.
A gente começou a dançar como se a música fosse mesmo animada.
Depois de um tempo, o Pedro decidiu que já estava na hora de tirar a vodka da geladeira para preparar alguma coisa.
Minha geladeira estava que nem boate, só havia fumaça e água. Por sorte achamos uns limões perdidos.
– Se Deus te der limões… faça uma caipirinha. Disse um de nós três.

Ia ser o nosso primeiro porre, ou pelo menos ia ser o meu primeiro porre. Eu sempre tive uma aversão muito grande com bebidas e principalmente com o fato de ficar bêbado, mas naquela noite eu estava meio que no foda-se.
A bebida ficou pronta e, apesar do gosto amargo, até que estava tragável.
Me senti incrível que mesmo depois de uns dois copos, eu ainda me mantinha sóbrio. Só que eu não queria parar por ali, na verdade ninguém queria.
Quando acabou o limão, a gente nem se importou muito. Afinal, vodka pura não deve ser tão ruim assim, os russos tomam todo dia antes de ir dormir.

Só fui perceber que já estava bem bêbado, quando em um momento da noite eu vi que havia pão de queijo no forno. Assado. Como ele foi parar lá? Quem assou? Um mistério maior que esse mistério.
O Pedro já estava bastante alterado, ou se fingia de, pois pegou alguns pães de queijo e começou a tacar na gente. O que pareceu ser divertido no começo ficou meio chato depois.
Eu já estava cambaleando pelos sofás e o Henrique tocando freneticamente como quem toca no XXXperience. Mas aquela noite parecia não ter fim.
Você perde a noção de tudo quando se está bêbado. Tempo e espaço se misturam de um jeito que parece que você está em um buraco de minhoca.

Dois dias antes, minha mãe havia comprado um mamão bem grande. Ela dizia que ia fazer alguma sobremesa com ele.
Bem, eu não consegui pensar em sobremesa nenhuma quando o Pedro ergueu o mamão acima da cabeça e gritou “EU JOGO VÔLEI” e bateu no mamão como se fosse uma raquete na minha direção. Meus reflexos estavam tão rápidos que eu só levantei as mãos para parar aquele mamão quando ele já havia acertado meu peito. O Pedro realmente jogava vôlei, eu também. Mas não me lembrei disso.
Cai no sofá e comecei a dar risada daquilo. Ficar bêbado era de fato muito estranho.

Puxamos o Henrique para o meio da sala e começamos a rodar, os três gritando “Parabéns pro Henrique! Parabéns pro Henrique! Parabéns pro Henrique!”
A gente começou a chacoalhar a cabeça um do outro e depois exaustos, capotamos no sofá.

De início, a festa era para durar umas duas horas no máximo. Não sei por que eu achei isso, mas na minha cabeça estar bêbado era algo que pudesse ser controlado.
Às 1:00 da manhã, eu me dei conta de que minha mãe chegaria em poucas horas e a sala estava uma zona. Como quem está prestes a ser levado à forca, me bateu um desespero de que minha vida acabaria em breve, assim que aquele portão se abrisse e minha mãe visse aquela cena lastimável.
Corri para o chuveiro para tentar tirar o cheiro de vodka e tentar recuperar alguma sobriedade.

Enquanto tomava banho -e cantava Foo Fighters no banheiro, o Pedro anunciou uma catástrofe de menores proporções, mas nem por isso tão destrutiva quanto a principal: o pai do Henrique estaria ali dentro de alguns minutos para buscar ele. Nesse momento o Henrique estava deitado no sofá passando muito mal. Eu continuava no chuveiro, já estava quase incorporando o Dave Grohl (caso ele estivesse morto).
Buerghhhhhhh, Buerghhhhhhhhh foi o barulho que eu ouvi vindo da sala e logo após tive a confirmação que o Henrique havia vomitado.
Até eu sair do chuveiro definitivamente ele vomitou mais umas três vezes.

Eu continuava bêbado – e continuaria assim até o dia seguinte, quando fui ver o vômito do Henrique. Uma enorme poça marrom/preta que ia do sofá até o chão, com direito a respingos na parede.
Nunca vi ninguém vomitar tanto chocolate como naquele dia. Na verdade nunca vi ninguém vomitar tanto como ele naquele dia.
Atendemos a ligação do pai dele, que já havia ligado três vezes antes e ninguém atendera.
Ele estava na padaria há uns 10 minutos de casa. Se bem que naquelas condições a gente sabia que ia demorar uma década para levar ele até lá.
Mas como soldados em uma missão, extraímos nossas últimas forças e saímos em marcha até a padaria.

A rua que leva até a padaria foi palco de uma outra cena ímpar. O Henrique, que há pouco já havia perdido o comando das suas necessidades fisiológicas (como se vomitar fosse uma) disse que precisava desesperadamente mijar.
Como estávamos no meio do caminho, não havia chances de voltarmos para casa, seria um esforço grande demais que não estávamos despostos a enfrentar.
– Aqui não tem banheiro. Disse o Pedro para ele
– Tudo bem. Disse o Henrique em um tom tão calmo que me pareceu estranho, parecia que ele havia se entregado. E foi isso mesmo.
A gente entendeu o que aquele “tudo bem” significava. A perna do Henrique começou a ficar molhada repentinamente, até que tudo desceu pela canela.
Rimos da desgraça alheia, que era nossa desgraça também. Acho que nesse momento até eu mijei um pouco nas calças.

Quando chegamos na padaria, o pai do Henrique já se encontrava no carro com uma cara de poucos amigos. Eu preferi deixar essa bomba nas mãos do Pedro mesmo e nem me aproximei do carro.
Ele levou o Henrique até o carro, disse ao pai dele que ele havia comido alguns pães de queijo que não lhe fizeram bem. Fico me perguntando até hoje como o Pedro pode dizer uma coisa daquelas.
O pai do Henrique apenas abriu a porta do carro e depois foi embora.

Voltamos eu e o Pedro para casa, discutindo como faríamos para arrumar aquela bagunça toda e, principalmente o vômito.
Quando chegamos, peguei uns dois panos para tentar limpar a poça de chocolate estomacal. Não adiantava.
Lavei eles uma vez e tornei a passar sobre o vômito. Aquilo de fato não tinha fim.
O Pedro deu uma arrumada na pia e me lembrou de jogar a garrafa de vodka fora.
Seguramos eu e ele a ponta da garrafa, contamos até três e jogamos no terreno baldio ao lado, na esperança de que todos aqueles problemas, sujeiras e vômitos fossem juntos.

Sem forças para continuar limpando aquela gosma marrom, eu decretei que a gente precisava dormir.
Acho que quando a gente fechou os olhos a gente meio que morreu. Pelo menos por umas três horas, quando minha chegou e acendeu a luz do quarto, perguntando o que havia acontecido.
– Bebi. Respondi e morri novamente.

Quando acordamos o Pedro tratou logo de ir embora.
Eu me levantei e descobri que ressaca tinha algo a ver com estar muito zonzo, pálido e com sede. Felizmente não tinha dor de cabeça.
Fui para a sala, fiquei ali de pé contemplando todo o chocolate vomitado que ainda restava pela sala.

Padrão
Senta que lá vem história

Segue Abaixo

Gosto de sentir o último gole da bebida descendo pela garganta, e logo depois ir dormir. Mas fico emputecido se no meio do caminho esqueço de escovar os dentes, e tenho que levantar. Gosto de dormir no ônibus no caminho para o trabalho, e do trabalho para a faculdade, e da faculdade para casa. Gosto quando subitamente acordo e o ônibus acabou de abrir a porta no meu ponto. Detesto quando durmo demais e passo dele, você tem que caminhar de volta por uns caminhos estranhos e na maioria das vezes chove. Gosto da chuva, e de caminhar nela também, apesar de fazer pouco isso, Se chovesse agora iria andar sem rumo debaixo da chuca, e chove, Ah não dá, estou com isso e com aquilo. Sou bom em arrumar desculpas para mim e para os outros, mas não gosto de fazer isso. Sou bom também em fazer voz de narrador, de MMA, de trailers e de outras vozes icônicas. Acho que seria um bom ator. Não gosto do Johnny Deep, gosto do Leonardo Di Caprio porque fez Inception e A ilha do Medo. Inception é meu filme favorito. Acho tosco ficar se perguntando se ele estava acordado ou não. Acho tosco também quem fala alto, ou quem fala muito. Se faz os dois, espero que morra. Nunca vi a morte de perto, nunca vi ninguém morrer, mas sei que é triste e por isso não tenho interesse em ver/descobrir tão cedo. O que eu descobri cedo é que ia ser comunicador, não que eu falasse muito, desenhasse bem ou outra coisa parecida. Mas eu detestava números, e gostava de ficar 1 hora na livraria analisando as pessoas. O primeiro livro que li foi um da série Olhinho que Mexe-Mexe. Nunca descobri o melhor gênero literal, mas descobri após os dois primeiros e grandes parágrafos de Caim, que iria gostar muito de José Saramago, pois ele era criativo, crítico e bom. Tento ser criativo na maioria das vezes. Ainda não adquiri criticidade e falta muito para eu ser bom.
Gosto de minimalismo e de cabelo preso.

Padrão
Contos, Senta que lá vem história

Lisie – Infância

As vezes se você entrar de repente, sem bater a porta e fazer qualquer barulho, você vai encontrar Lisie sentada debaixo do chuveiro enquanto a água e a música triste escorrem pelos cantos.

E em certos dias, Lisie dilacerava seu braço com a gilete, o sangue e a música triste escorriam por seu braço.
Lisie não aguentava a pressão do mundo, as vezes não aguenta nem a pressão do sangue correndo em suas veias. E Lisie descontava nela mesma, como se ela fosse a culpada.
Pobre Lisie.
E se alguém lhe perguntasse alguma coisa, diria que foi o cachorro, ou que caiu de algum lugar.
Mas Lisie não é uma garota má, é só alguém com problemas dos quais não encontra outros modos para se livrar. Ela é como qualquer outra pessoa, exceto por um detalhe.
Vejamos sua infância:

A pequena garota dos cabelos cacheados, que queria viajar pelo mundo com Amie, sua melhor amiga.

Lisie e Amie, a dupla inseparável. Quem ousaria separar as duas, era brincadeira de criança, quando ficar mais velha passa.
– Bom dia Amie, dizia a mãe de Lisie enquanto coloca mais um pote cheio de cereal para a amiga de Lisie, que tomava café da amanhã todos os dias com Lisie “Os pais delas saem cedo de casa”, era o que ela dizia para a mãe.

Amie era uma boa amiga para Lisie, teriam passado a vida inteira juntas, se não fossem as outras amigas de Lisie, quem simplesmente reijataram Amie.

Padrão
Crônicas, Das idiotices do mundo, Senta que lá vem história, Vivi e aprendi

A vida adulta

E se, antes de botar a cabeça pra fora da barriga de nossa mães, antes que deixacemos de ser meros corpos em repouso e viessemos a nos tornar finalmente seres, e se antes de tudo isso, recebermos um manual, pequeno e descritivo de como seria cada fase de nossas vidas. Pense quantos problemas seriam evitados. Se ele existisse, esse manual, ele começaria contando sobre a primeira fase nossas vidas, mais ou menos assim:

“Um dia você vai finalmente botar a cabeça pra fora e dar uma espiadinha nesse mundo, não é bonito, não é simpático, mas você talvez acabe gostando. Nessa fase da sua vida, você conhecerá pessoas completamente bobas, por você, é. Então faça uso disse para receber mais e mais atenção, jogue sorrisos, bata palminhas, enfim, aproveite. Se você perceber que não vai ser nenhum famoso, será o momento em que você mais receberá atenção na sua vida…”

Eu lembro dessa fase, todos ficavam me olhando, eu era de parar o trânsito, xódozinho da mamãe que comia mamão sem parar, mas pra dizer a verdade a memória mais antiga que tenho é de quando roubaram meu velocípede, MEU VELOCÍPEDE cara.

PORRA!

O almanaque ilustrado com tirinhas da Mônica, ou melhor dizendo o Manual da vida, prossegue contando fatos sobre a infância:

“Não, você não vai ser jogador de futebol. Nessa época marota da sua vida você irá desenvolver funções complexas, como por exemplo sociabilizar com sua vizinha chata quando a bola cair na casa dela, mas essa é uma época em que você vai ter que aprender a ir para escola. Não adianta espernear, chorar ou até mesmo matar aula, hora ou outra você vai ter que entrar na escola, mas fique sossegado, isso só vai durar pra vida inteira.”

A vida não era difícil, entrar na escola também não foi traumatizante, mas não chegava a ser divertido também. Eu era um menino tímido que sentava nun canto que e se mantinha assim. O que não me impediu de arranjar uma namorada na segunda série. Namorada é modo de falar, por que o pedido consistiu em escrever na mesa dela se ela queria, com uma caixa pra ela poder marcar sim ou não. Agente ficava junto na hora do intervalo, e durou até eu vir pra Sorocaba.

Aqui eu jogava bola, saia correndo pra escola por que estava sempre atrasado, mas não passava do garoto magrelo com cabelo bagunçado, o típico garoto meio termo, que nunca se destacava em nada. Esse era eu, Esse Sou Eu.

O manual continua:

“Adolescência, puta que pariu. O antropocentrismo faz todo sentido pra você, as idas ao banheiro serão constantes. Você fica dizendo “quero ter pelos”, ai eles vem, e você agora só pensa em como se livrar deles. Os amores vão passar na sua vida tantas vezes quanto você corta o seu cabelo, ou cutuca o nariz, só depende de você.
Agora R$ 10,00 não tem o mesmo valor que tinha antes, mas um decote, ahhh isso vale muito mais que sua vida inteira, punheteiro do caralho”

Eu continuava o mesmo na adolescência, um grande babaca. As cagadas que cometi no primeiro ano são imensuráveis, e são tantas que nem compensam serem ditas aqui. Mas é claro que com os erros eu ia aprendendo, pelo menos com alguns deles, mas se antes eu era o carinha que sempre estava na média, agora eu começa a decair de mais, até que chegou o final do segundo ano e eu repeti.

E de novo no segundo ano, as responsabilidades só aumentaram, ensino médio de manhã, técnico a tarde e trabalhando, mas acho que eu consegui levar bem as coisas, voltei a ser o meio termo de sempre.

Cheguei então ao terceiro ano, eu querendo cada vez mais SER. Mas como diria Carlos drummond, o que é SER?

O manual diz algumas coisas sobre ser adulto:

“Te fudeu. Vai lá se apresentar ao exército, bater continência aos grandessíssimos oficiais do exército brasileiro. Vai encher a cara para tentar esquecer a ex-namorada, vai fazer tudo que der vontade na sua cabeça, mas não esqueça de avisar sua mãe, pois você ainda mora com ela, e sua grande vida adulta de merda não passa de mais um monte de responsabilidades e mais insegurança.
2 coisas que você pode fazer com 18 anos que talvez sejam úteis: Entrar num puteiro; tirar carta de motorista. 2 consequências: Pegar DST; bater o carro.
A vida adulta, a tal, a grande vida adulta é isso, liberdades que mais te trazem problemas do que qualquer outra coisa.
Se você espera encontrar nesse manual, ou que alguém lhe diga qual a fórmula para se ter uma vida de sucesso, você ainda não percebeu que a vida adulta é uma grande merda desconexa e complexa. Te vira.”

Apesar dos problemas, apesar das burradas, eu tenho algumas coisas do que me orgulhar. Ser adulto não é algo que acontece de uma hora pra outra, não dormi adolescente ontem e acordei adulto hoje, são uma série de fatores que te fazem entender que o antropocentrismo não faz tanto sentido assim, você tem pessoas vivendo ao seu redor, pessoas que dependem de você, que confiam em você, e decepciona-las é um sinal de que você ainda não está totalmente pronto pra encarar sozinho esse pequeno mundo, cheio de nervos.

Me pego olhando pra trás, e penso “porra, quantos ônibus eu já peguei, quanto eu já gastei com passe de ônibus, salgados e outras coisas”.

Acreditem, todos vocês de alguma forma foram/são importantes para eu ser quem eu sou, seja isso bom ou não.

Obrigado,

@franlucas_ @RafaPradoF @Raulzito_Moura @Carlootz @F_Calobrizi @Nicoletchi @FerFCL  @maferreiira @ericamayumi  @eee_paloma

E a todos outros que por algum motivo não estão aqui, mas sabem que são especiais.

Padrão
Das idiotices do mundo, Senta que lá vem história

O quanto devemos ser alienados

A discussão é longa e histórica, até quando as pessoas devem ser alienadas?

Depois de algumas discussões neste sentido, resolvi postar algo sobre aqui. No meu segundo ano tive um trabalho de filosofia onde o tema era “Trabalho e alienação”, a questão que envolvia a pesquisa era: O trabalho aliena ou dignifica o homem. Meu tema de pesquisa foi especificamente a alienação no consumo, se bem que eu queria mesmo falara de alienação religiosa.

Expus a classe que as pessoas estavam condicionadas a consumir tudo que lhes eram impostas, a época era de lançamento de alguns livros do crepúsculo e eu acabei citando o livro/filme, dizendo que as pessoas só o consumiam pois tinha sido algo imposto, e essa imposição era dada de forma que ou você consumia o produto ou ficava-se excluído. Os fãs da saga me detestam até hoje.

E dias atrás a questão de alienação no consumo voltou a ser discutida, dessa vez no trabalho. Depois de uma série de debates filosóficos acabamos por entrar nesse assunto, onde o Bruno, entenda Bruno como capitalista Mör, dizia que algumas formas de entretenimentos tonto(a palavra não é essa, não me recordo qual é) eram sim bem-vindas, ele defendia seu ponto de vista dizendo que músicas como “É o rebolation” vinham para satisfazer a necessidade de se libertar do estresse causado pelo cotidiano, uma forma de escapar dessa vida.

Reboletion é ópio do povo.

Em contra partida disse a ele que existem sim formas de entretenimento que agregam algo a vida das pessoas, e logo fazem muito bem o papel de relaxar e cultuar alguém, já que músicas compostas por uma frase de nada servem a não ser mostrar como o Brasil ainda tem muito que evoluir nesse quesito.

A discussão nunca termina, e chegou ao ponto de me deixar estagnado quando ouvi de um economista que chega certos momentos da nossa vida que devemos apenas nos acomodar com a situação.
“Seus pais diziam que antigamente as coisas eram bem melhores no passado, você vai dizer a mesma coisa no futuro, mas você acaba se acostumando” disse o que pra mim foi o comentário mas alienado em tempos.
Perdendo é claro  para o que ouvi hoje vindo de uma aluna da minha classe, referindo-se a educação de péssima qualidade no Brasil: “Eu vim de escola estadual, onde o ensino era muito fraco, mas eu sabia que era fraco pois eu já tinha uma base melhor, talvez esse plano de educação do governo seja bom para as pessoas do nordeste/norte do país, onde as pessoas tem uma educação pior, depois que a educação estiver nivelada, eu creio que ela vá melhorar”. O problema minha cara, é que a  educação vai ser nivelada por baixo, não fazendo referência as pessoas no norte e nordeste, já que nossa educação não é nada boa também (em tempos de xenofobia há de se tomar cuidado).

Até quando vamos ver coisas como acontecem de errado no nosso dia-a-dia e ficar calados? A ficha limpa foi digamos adiada por mais um ano, quem garante que não vai acontecer isso no ano que vem e assim por diante? Vamos ficar quietos enquanto tudo passa por debaixo de nossos narizes, ou melhor na frente de nossos olhos? Já que como diria o grande economista que trabalha num almoxarifado, “temos que ser cômodos”,  eu me abstenho de maiores comentários.

 

 

Padrão
Senta que lá vem história, Vivi e aprendi

Como instalar Windows 7 + Ubuntu em seu PC

O motivo que me leva a escrevae essa tutorial, é pra na verdade, mostra o quanto eu apanhei pra fazer o chamado “dual-boot” no meu computador, e descobrir que no final é algo fácil.

Então vamos lá.

Primeiro consiga os dois CD’s/DVD’s com os sistemas operacionais, ou assim como eu você pode baixar os dois(não estou fazendo apologia a pirataria de modo algum).
Os arquivos virão em formato de imagem, o tão conhecido ISO.  Basta agora você gravar essas imagens em um DVD ou CD, para o Windows grave em um DVD, para o Ubuntu um CD basta.

NOTA Use CD’s e DVD’s bons, o que mais me deu problema foi comprar um dvd barato e ele não gravar direito e dar pau no meio da instalação.

Bem, você baixou os arquivos, gravou, agora é hora de instalar.

Da primeira vez que fui tentar fazer o dual-boot, me dei mal. Primeiro por que não sou nenhum expert em computador e fui na base das tutoriais meio velhas por ai e dos chutes também, agora que eu já me dei mal você não vai precisar se dar mal também, por que eu to aqui pra te ajudar.

Você já deve ter instalado o Windows uma vez ou outra certo? Se não, eu vou explicar rapidinho como faz, pois é como instalar um programa.

Coloque o DVD no drive e reinicie o computador, quando ele ligar vai aparecer uma mensagem perguntando se você deseja iniciar pelo DVD, para isso basta apertar qualquer tecla que logo você vai para o assistente de instalação.

Continuar lendo

Padrão
Crônicas, Senta que lá vem história

Cannonball

Azar

Tal palavra define minha relação com as mulheres até uns 4 meses atrás. Sim, esta palavra de 4 letras, coincidentemente  é o mesmo numero de letras do meu nome, e a ultima dos dois são iguais. Isso não quer dizer absolutamente nada.

Eu atribuo o meu problema com as mulheres ao fato do estilo pradiniano nunca ter tido popularidade, é um estilo que consiste básicamente em não ter estilo.
Eu seguia essa “tendência”, logo eu era um excluido.

Foi ai que desisti de querer revolucionar o mundo da moda e parei de seguir o estilo inventado por mim, e resolvi seguir estilo nenhum. Perceba a grande mudança.

Como disse em outro post, alguns acasos nos levam a bater de frente com um caminhão, porém, outros nos levam a encontrar um caminhão de coca tombado.
E foi um desses acasos que mudou minha vida.
O acaso em questão foi eu repetir de ano e semestre(Nesse caso eu poderia dizer que bati de frente com o caminhão da Coca).

Eu não sei bem como aconteceu, mas lembro que novos alunos entraram na escola, principalmente no técnico, e havia uma aluna nova no mesmo curso que eu, claro não no mesmo semestre, ela havia acabado de entrar. Ela era tão interessante.

O grande problema para se chegar em uma garota é obviamente a fala inicial, depois que se inicia a conversa, tudo fica mais fácil. O problema era como falar com aquela garota, não tinha-mos amigos em comum, e lugar em comum não basta, já que a escola não é bem o lugar certo.

Esta garota, estava sempre na dela, andava pelos corredores com um amigo, e ela parecia ser muito  tímida. Resolvi então que seria muito mais fácil falar com o amigo dela primeiro, depois falar com ela.
Com um pretexto qualquer puxei assunto com o cara, mas falar com a garota que é bom nada.

Descobri posteriormente que a tal garota havia um empedimento, não me abalei, olha ela todos os dias discretamente.
Pra descobrir o nome foram dois meses após ela ter entrado no curso, isso por que fiz por intermédio de um outro colega.

Passou o semestre e pelo que eu me lembre eu não tinha falado com a garota ainda, me sentia o próprio charlie brown com a sua garotinha ruiva, no meu caso uma morena.
O rumo da história começava a mudar quando um “camarada” meu, que não conhece o termo “ser discreto” acabou por fazer amizade com esta garota. Era a minha chance de conversar com ela e eu não iria perder esta oportunidade de jeito nenhum.

Logo tinha arrumado um pretexto para falar com ela. Não lembro as primeiras palavras, de certo devo ter dado alguma opinião em uma roda de conversa.

Era um pequeno passo para a humanidade, mas um grande salto para mim.

Agora não precisava ficar olhando as escondidas, eu podia falar com ela, é claro que eu ainda a olhava, mas agora podia fazer algo a mais.

Me lembro das conversas no ônibus, o sorriso dela, o jeito com que ela falava, e eu tentando parecer um cara normal sempre na minha.

Até que um dia chegou meu aniversário, esse dia é claro eu não esqueço.

Foi bem assim:

Intervalo. Estava eu conversando com uns amigos quando ela se aproxima, chama um amigo meu e entrega algo que eu não consigo identificar. Depois de um tempo fui ver que coisa era aquela, tava todo mundo em volta mesmo. Ela saiu, o cara que tava com a coisa não disse nada por um tempo, era uma pequena placa de madeira ou algo parecido, depois de algum tempo ele me fala que ela tinha mandado ele entregar aquilo pra mim.
Pense em alguém surpresofelizquerendodarpulinhos.

O objeto em questão era uma pequena “placa” de madeira ou algo parecido que contém a seguinte frase: As criticas não me abalam, os elogios não me iludem. Sou o que sou e não o que dizem! Vivo o presente, temo o futuro e foda-se o passado!
Em um canto da placa há o Snoopy desenhado, digamos que esse desenho tenha sido a coisa que tenha me cativado tanto naquele presente, já que eu havia comentado com ela algumas vezes (uma ou duas) que eu gostava muito da história de Peanuts, e isso com certeza queria dizer algo.

Obviamente fui agradece-la, e eu nunca vi alguém tão envergonhado assim, acho que se ela pudesse ela enfiaria a cabeça de baixo da terra. Mal pude abraça-la =\

Depois acabou o intervalo e eu fiquei daquele jeito.

Coisas estranhas acontecerem nos dias seguintes e me levaram a crer que aquilo não significava nada.

Até que um dia ela sentou do meu lado e conversamos sobre qualquer coisa, mas tarde conversamos no msn, não era a primeira vez. Mas aquela conversa me fez sentir diferente, algo que era pra mim somente platônico e como sempre não passaria disso, agora eu queria muito que desse certo.

Ai eu tinha uma idéia na cabeça.

Se há uma tribo que eu me encaixo, românticos é a mais perfeita delas. Faz parte de mim.

Na mesma semana então esperei ela ficar a sós em um dia qualquer, a idéia era lhe dar um singelo bombom, em parte para agradecer e em parte para agradar.

Comprei o bombom, e por uma sorte ela estava sozinha. Sentei ao seu lado, cumprimentei e entreguei o bombom. Não falei nada de mais, por que entregar o Sonho de Valsa foi complicado, tive que vencer a timidez e eu tava nervoso, muito nervoso.

Tempos depois(uma semana mais ou menos), encontrei a garota no ponto de ônibus, foi numa segunda-feira e ela comentou sobre uma peça de teatro que iria ter no SESI, quando ela falou da tal peça rápidamente me passou a idéia de que seria bom ir com ela lá, mas e a coragem?
O pensamento terminou e a frase chegou aos meus ouvidos “quer assistir a peça comigo?” .

– É obvio que eu quero, é o que eu mais quero.

Não, eu não falei assim, eu fui um pouco mais contido, claro. Respirei um pouco, acalmei e disse bem naturalmente que sim.

A peça foi na quarta feira da mesma semana, o nome da peça era “Ah, beijo não”, ficou na pequena descrição do blog por uns dias.
E essa foi a primeira vez que ficamos juntos, ao som de Adriana Calcanhoto, com direito a alguém me cortando logo no primeiro beijo.

E é incrível estar do lado dela, desde aquele dia eu me sinto renovado.

Uma semana depois eu a pedi em namoro, daquele jeito meu mesmo, uma coisa simples mas que vinha de dentro.

Agora fazem mais de três meses desde o dia da peça, desde o pedido. E eu continuo amando-a, tento ser o melhor, tento faze-la se sentir a garota mais especial, erro aqui e ali.
Mas eu quero que ela saiba que é pra sempre.

O nome dessa garota?

Nicole.

Padrão
Das idiotices do mundo, Senta que lá vem história

As profissões mais fudidas

Algumas pessoas estão onde estão hoje por um mero acaso do destino. Nem todo mundo escolheu ser babá, mas as vezes você não tem outra opção. Eu por exemplo, só sou monitor por que foi a unica coisa que era possível fazer nas minhas condições.
Sempre reclamei muito de ser monitor, mas talvez ser monitor não seja tão ruim assim, o que fode mesmo é o lugar, mas enfim. Com esta profissão de uma certa forma fui evoluindo, posso dizer até que ela foi importante para uma evolução não só profissional mas pessoal também. Hoje faço com frequência o que  nunca fazia antes: Me coloco no lugar dos outros.

Sim, a partir do momento que você se fode tanto, e se fode por causa de outras pessoas, você começa a se colocar no lugar das outras pessoas, por que é isso que você queria que elas fizessem, se colocassem no seu lugar.
Até que decidi me colocar no lugar de vários profissionais, pra mostrar que a vida deles pode ser tão fudida quanto a sua ou a minha.

Vendedor de Cartões

Não é o mesmo, mas sofre igualmente

Você já deve ter sido abordado por um. A função de um vendedor de cartões é justamente essa, abordar pessoas pessoalmente ou não e lhes oferecer o cartão do banco.
E sua função nunca foge muito disso, o problema são os tipos que ele encontra por ai.

Ponha-se no lugar de um.

15:30, horário que o sol já deixou de ser algo agradável e passou a te torturar. Você está no centro comercial da sua cidade, onde milhares de pessoas passam todos os dias, com humores completamente diferentes. Seu salário é sem duvida uma merda, além do mais você vai ter que ficar ali por 8h.

Depois do breve lanche, o primeiro possível cliente se aproxima e lá vai você tentar fisgar mais um cliente para a empresa. Na verdade você não está nem ai se ele vai querer fazer o cartão ou não, você não está preocupado com o futuro da empresa, só com o seu futuro, afinal você deve para a empresa de telefonia e de luz. Sua vida, é uma completa desgraça.

– Bom dia, já possui o cartão da nossa loja?

Pergunta crucial feita por qualquer vendedor, seja qual for o ambiente, shopping; centro; supermercado, etc.
A partir desta pergunta todo o desenrolar da história é definido, e existem duas possibilidades:

– Sim já possuo(o que pode ser verdade ou não).

– Não, não possuo.

Você naturalmente está esperando pela ultima resposta, por que ela é que lhe abre um leque de oportunidades.

– E a(o) senhora(o) estaria interessado em adquirir um de nossos cartões? Tendo todas as vantagens de um cartão bom como o nosso?
-Não

Pronto, suas expectativas foram pra bosta. Você até tenta argumentar, mas a essa altura a pessoa já está longe e você já tá pensando em mandar ela ir se foder.

Ninguém entende que você tem sentimentos, as pessoas acham que a partir do momento que você coloca o uniforme da empresa você se torna um sangue-suga. É claro também que elas não tem obrigação nenhuma em tornar-se cliente da empresa, no caso citado a cima a pessoa foi até que educada.


– O senhor gostaria de adquirir um de nossos cartões?

– Não quero, não gosto
–  Mas senhor, como você pode não gostar de algo que nem experimentou?
– Ah então você quer dar pra mim?
– Senhor eu não estou entendendo,  isso não faz sentido.
– Como não, você não experimentou para falar se é bom

Isso é uma pessoa estúpida.

Não basta estar suando, não basta o salário ser baixo, você tem que ouvir merda. (Defino isso como requisitos para um profissão ser fudida).

Inspetor de escola

Tia nadir

Não sei como alguém pode chegar a essa profissão.

Sabe aquele tiozinho que manda todo mundo ir pra classe? Corta seu barato quando você está dando uns amassos?
Normalmente ele é o cara mais chato da escola, temido por todos. Pelo menos na minha época que eu tinha que me preocupar com essas figuras, todo mundo evitava encontrar eles pelos corredores da escola. E é claro sempre existiam os xingamentos pelas costas, mas nunca nos colocamos em seu lugar.

Primeiro, alguém me diz o que um inspetor deve fazer? Assim como eu, que não fico limitado só a olhar o brinquedo, o inspetor também tem funções adversas a que lhe foi proposta, que afinal eu nem sei qual é ao certo, como por exemplo socorrer um aluno com desmaio, ou dar conselhos para uma jovem grávida – sei lá – .

Tem também a questão do salário, que é uma merda cara, sério. Tenho dó deles. Eu converso com os dois, e como eu disse anteriormente eles tem que fazer umas coisas muito estranhas como por exemplo o carometro. Carometro, assim chamado pelos alunos nada mais é do que uma folha com uma foto do rosto dos alunos, o conteúdo da folha é separado por classe. Agora pense que merda você ter que ficar colando um monte de figurinha de alunos em um papel, e ainda por cima ver aquela gente feia, tem umas fotos engraçadas lá, a minha por exemplo.

Pior mesmo deve ser aquelas molecadas pentelhas(entenda pentelhas como filhos da puta), que insistem em ir sem camiseta da escola ou sempre esquecem o cartão, jogam truco… To me descrevendo.

Sou atendado e dai?

Não sei o que leva uma pessoa a ser inspetor, mas pra mim existem muitos motivos para não ser um.

Motorista de ônibus

Primeiramente quero me desculpar com você, meu caro motorista de ônibus, a qual sempre difamei em tudo quanto é lugar. Eu já falei muito mal de você, por que você me irrita todas as manhãs lotando o ônibus de passageiros, tornando minha curta viagem um inferno.

Eu sei que você sofre, mesmo que não aparente. Só por que você fica sentado pilotando o ônibus, não tendo que aguentar cheiro de sovaco de ninguém eu sei que sua profissão é fudida.

O motorista é aquele cara que basicamente te leva ao seu trabalho ou escola, mas ele pode te levar pro médico quando você estiver bêbado ou estiver perto de dar a luz. De certa forma ele te salva, e te fode também(pensa que eu me esqueço da vez que seu ônibus quebrou e eu tive que ir em outro, sendo que o que eu estava já tava uma merda de cheio, o outro então… É meu amigo, desejei sua morte muitas vezes). Voltando, o motorista as vezes tem que aguentar muitas coisas macabras também. Certo dia um bêbado queria entrar no ônibus, só queria, por que não estava nem aguentando andar, e o motorista naquela de não queria levar o bêbado por que ia ficar enchendo o saco dos outros, mas não podia meter o pé no peito dele pra tirar ele da escada, ficou falando uns 10 minutos até que o bêbado desistiu e foi embora.

Teve uma vez também que a mulher passou mal e pediu para ir para o hospital, ficou implorando pro motorista levar ela, sendo que o hospital era fora de rota, mas não era tanto. O motorista ficou com o cu na mão, até que uma grande maioria falou pra ele levar ela logo, e foi o que ele fez, saiu do caminho e levou ela até o hospital, nesse dia cheguei atrasado pra escola.

Te amo também

Não, eu continuo não gostando dos motoristas de ônibus, por que eles só ferram minha vida, mas agora antes de planejar sua morte, eu vou me por um pouco no lugar deles. É foda ir com o bus lotado, mas sei que se ele deixar aquelas pessoas no ponto ele é quem vai tomar no cu depois.

Conclusão

Sinto muito pela má qualidade do post, se vocês não riram é por que eu to ficando sem graça mesmo, na verdade se você chegou até aqui foi uma vitória.
Desculpe também pela demora de colocar algo novo, mas é que faz tempo que não tenho tempo.

E antes de me xingar, ponha-se no meu lugar.



Padrão
Crônicas, Senta que lá vem história

Saga da conta da Riachuelo

Prestar favor para os outros é uma merda não é mesmo? Por que normalmente você só faz pra não ficar chato, e vem cada coisa maldita, comprar pão, levar o cachorro pra passear, emprestar grana. Emprestar sua mulher pra eu dar umazinha você não quer né?

Pois bem, dia desses minha prima me ligou por volta das 9 da noite, me perguntando se não poderia ir até o shopping, que fica na puta que o pariu pagar uma conta pra ela. Não gosto de dizer não, as pessoas ficam putas quando você fala “NÃO”, e ainda te pergunta “por que?”, e você nunca pode falar “por que não estou afim”. Então o besta aqui aceitou fazer a árdua tarefa de caminhar uma subida imensa para pagar uma conta.

“Pobre se pudesse pagava o cheque especial com outro cheque especial.”

Na segunda-feira sai do técnico meio infeliz, sabendo que teria que andar pra caramba e pagar a conta. Andar não era o maior dos problemas, o que eu odeio mesmo é pagar conta,pegar  fila, ver gente feia, pobre ahhh kkkk.

Cheguei na loja e fui direto ao lugar para pagar a conta, se fosse uma mulher, teria olhado a nova coleção inteira da loja antes de pagar, e no minimo teria gasto uns R$ 482,00.

Não tem nada de útil na compra dela

Entrei na loja todo saltitante pimpão, querendo me livrar o mais rápido possível daquele fardo. Fui direto ao caixa, não tinha muita gente na fila para minha sorte, por que né, fila de banco ou caixa é a pior coisa da face da terra, tirando claro o ônibus. Imagine você, querendo dar uma passada rapidinha no banco, pra conferir um saldo, pagar uma conta sei lá (só vou no banco pra pagar a conta da minha mãe), quando você chega na fila encontra com aquele típico paulistano que é mostrado em novela: o motoboy.
Pronto, seu rápido passeio no banco se torna uma viagem a um destino de espera e cansaço. O “boy” está apenas cumprindo o papel dele, pagando e encaminhando milhares de contas de uma vez só.

"Dois motoboys, a classe mais baixa da sociedade..."

Porra na onde é que eu tava? Na fila né?

Voltando.

Minha vez de pagar a conta chegou, tirei a carteira do bolso e peguei o papel que julgava ser o boleto, entreguei o papel para a caixa. Falando em caixa, já percebeu que tirando a caixa do mercadinho da esquina do seu bairro, todas as funcionarias de até 26 anos são de uma forma geral “bonitas”? Puta mundo injusto meu. Vou fazer uma dissertação sobre o espaço das pessoas feias na sociedade, ou vocês acham que uma pessoa feia ganha tanto quanto uma bonita? Deveria ser criado uma cota pra gente feia, sério.

Foco.

Como estava dizendo, entreguei o papel pra caixa, ela olhou, olhou mais um vez e me entregou papel. Falou algo que não consegui compreender muito bem, peguei o papel pensando “Deu merda”. Olhei o papel e porra, era o comprovante do meu pedido na livraria, que falando nisso não chegou até hoje.
Olhei com aquela cara sem graça, e disse que talvez estivesse na mochila. Revirei ela sem sucesso, olhei mais uma vez e disse que não tinha achado a conta, ela até que tentou me ajudar, perguntando se eu não sabia o CPF do dono da conta. Me diz agora, quem grava o CPF dos outros, eu não sei nem o meu direito.

Voltei pra casa com o rabo entre as pernas, já pensando no que minha mãe iria dizer sobre responsabilidade, ética e cidadania organizacional (?). E o pior, se não tivesse perdido a conta, teria que voltar lá no outro dia, saco.

A bronca esperada não ocorreu, mas ainda tinha que ir lá pagar a conta no outro dia, por que o boleto tinha ficado sobre a mesa. Faz mal não, no outro dia estava eu terminando de subir a rua que dava direto no shopping e conferindo se estava tudo correto. O boleto estava, o dinheiro também, bem o dinheiro que minha prima me deu estava lá na carteira.

Mais uma vez estava eu lá na fila do caixa, retirei tudo do bolso e entreguei para a mulher. Ela olhou o boleto, digitou naquela computador aparentemente bonito, mas todo mundo sabe que embaixo se encontra um PC de 2000. Disse então:

– R$ 140,00

Peguei a carteira e vi que havia algo errado, por que duas notas não dão R$ 140,00, a não ser que no mínimo uma nota fosse de R$ 100, mas na minha mão esse tipo de coisa não passa.
Haviam  R$ 70,00 na carteira, o que me assustava. “Será que perdi dinheiro? Alguém roubou! Não, lembro dela me entregando só essas notas mesmo”.
Dessa vez não foi eu quem cometeu a cagada, seria bom esfregar isso na cara dela, Rá.

Já sentiu a doce sensação de poder chegar para sua mãe e falar “Você deixou a manteiga dormir fora da geladeira”(por que afinal é sempre você quem faz isso)Então, foi bom falar pra minha prima que ela tinha feito uma cagada.
Por mais que tenha sido bom ter enchido o saco dela pela confusão, quem ainda ia tomar no cu era eu, afinal quem ia ter que subir a rua de novo? Quem ia chegar em casa tarde de novo? Jesus que não era.

Após ter subido, entrado na loja, conferido tudo estava ciente de que agora tudo daria certo.
Lá estava a caixa, sentada pacientemente, ou não. Eu caminhava triunfante até ela, totalmente disposto a pagar uma conta, que não era minha, mas que tinha me arranjado mais problemas do que o aranha.
O dinheiro e a conta estava na mão, o sorriso no rosto. Entreguei a conta, ela olhou e disse:

– Devido ao atraso, você vai ter que ir na central e falar com o gerente.

– Sério?

– Não, é que já é a terceira vez que você vem pagar essa conta, tinha que tirar uma com sua cara. Aqui está seu troco.

Padrão
Crônicas, Senta que lá vem história

Minhas caminhadas insanas

Comecei minha carreira como maratonista logo cedo, na 7a série já demonstrava ser um corredor nato, ou um futuro vagabundo desempregado. Ainda estava naquela fase de estudar a tarde. A escola ficava a 20 minutos de caminhada, eu começava a me aprontar quando era 12:00, o sinal batia 1:00. Na teoria era um bom tempo pra fazer tudo e chegar na escola a tempo, não pra mim.

Nesta fase da minha vida era de uma completa lerdeza para me arrumar, não mudou muita coisa hoje em dia, mas naquela época era anormal. Pra começar almoçava em frente a TV, computador nem existia pra mim ainda era coisa de filme. Gostava de futebol na época, e assistia os dois programas a respeito do esporte, o que durava uns 30 minutos, ao final do ultimo programa tinha comido metade da comida e ela já se encontrava fria. Banho? Tomava muito raramente antes de ir pra escola, sei lá, dava uma preguiça de entrar de baixo d’agua. Entre colocar o uniforme, escovar os dentes, arrumar o cabelo(isso quando eu arrumava, e acreditem ir sem arrumar o cabelo pra escola no meu caso é algo bem tenso) já iam mais 10/15 minutos do meu tempo, acabava saindo de casa faltando 10 minutos para o toque do sinal.
Naqueles tempos remotos, não tinha a mordomia de chegar a hora que quiser, sinal bateu o portão está fechando logo em seguida. O único jeito era correr, e muito.
Agora imaginem vocês, um garoto magrelo, correndo ao sol do 12, bonito né? Nunca fui de soar, então não chegava a ficar com aquelas marqueritas em baixo do braço, mas era no mínimo tenso.
“No meio do caminho tinha um subida fudida, tinha um subida fudida no meio do caminho.”

Olha eu voltando da escola

No 1o ano corria de final de semana com um amigo, nada que me fizesse voltar a ativa. Mas sei lá, os fatos posteriores demonstram que eu deveria investir na carreira.

Essa longa estrada da vida…
Tempos atrás teve uma
semana de palestras e mini-cursos em uma faculdade, uma delas tratava sobre multi plataformas na web. Um amigo me chamou e decidi ir. A palestra estava marcada para 9h, com termino as 22h e 30. Como nunca tinha ido na faculdade decidi me informar antes, perguntei para algumas pessoas da classe como faria pra chegar lá, mas as pessoas tem problemas em dar informações, tudo que me disseram foi: Pegue o ônibus que faz o caminho via castelo branco.
Descobri qual era o nome do ônibus e comecei a me arrumar, as 8h e 10 estava saindo da minha casa, cheguei ao ponto 5 minutos depois. O ônibus demorou para passar, e isto me preocupava, pois ainda faltava mais um, que me levaria definitivamente para a facul. Um ônibus então apareceu e me levou até o terminal, 8h 50 estava eu lá com aquela cara de “não vou chegar a tempo”. Me informei e o ônibus só viria as 9h mesmo. No meio da espera encontrei uma amiga, que me disse segundo ela onde deveria descer: Você vai ver a faculdade, ai você desce.
Bem, quando ela me falou isso, pensei que veria uma caixa d’agua com o nome da faculdade ou algo assim. O ônibus chegou e estava caindo aos pedaços, era o primeiro da fila e logo sentei no banco mais próximo do motorista, decidi não perguntar nada, mas vendo o público que frequentava o ônibus era bom ficar perto de alguém que pudesse me socorrer, sei lá vai que né…

Começou então a viagem, e eu ali, sempre atento a um possível lugar com o nome da faculdade, mesmo depois de terem me falado que era longe. O ônibus fazia um baralho infernal, tremia muito e seus bancos eram sem forro algum, sendo que um estava saindo do lugar.
O ônibus entrou então na tal rodovia castelo branco foi indo e indo, comecei a ficar meio preocupado.
“E se eu passar um pouco do ponto? melhor perguntar pro motorista”

O barulho parece que só aumentava, e o meu problema com dicção não ajudaria muito nessa hora. Colei na catraca e me dirigi ao motorista:

“Motorista a Facens está longe?”
“Que?”
“A FACENS… TÁ LONGE?”
“Xiiiiiii, já passou a um tempinho meu amigo, desce no próximo e volta pra trás”

Porra!

E se alguém me pegasse pra me trassar?

Minha unica alternativa era caminhar de volta, naquela estrada escura com alguns carros passando, o que não tirava meu medo de aparecer um filha da puta pra querer me traçar.
Vocês podem até me questionar por que não fui até o ponto final do ônibus, sério, o ponto do final daquele ônibus é na puta que o pariu, a estrada era mais segura do que lá.

Algumas indústrias ficam a margem da rodovia, mas aquela hora, elas já estavam fechadas, nem os porteiros estava lá, PQP.  Até que depois de um pouco de caminhada, vi um homem no orelhão, era minha unica alternativa. Mas pô, o que um cara fazia no orelhão de beira de estrada aquela hora? Tava com o cu não mão, mas tive que ir falar com cara pra pedir informação. Enquanto eu ia até ele pensava nas milhares de possibilidades que poderiam me ocorrer, mas fui firme e finalmente cheguei no orelhão. Ele terminou a ligação e eu perguntei a ele se a faculdade estava longe, ele disse que não, que se andasse mais um pouco ia ver um viaduto e que virasse a direita.

Fiquei feliz com a informação e voltei a caminhada. Acontece que o cara era otimista, eu fui caminhando e caminhando, e nada do maldito viaduto aparecer, 20 min depois vi a parte superior do tal, o que não queria dizer que estava perto, estava muito longe ainda. No meio do caminho fui cantando várias musicas para passar o tempo mais rápido, descobri que estrada é um lugar bom para pensar, se não fosse tão tarde teria sentado e curtido uma brisa, faz mal não fica pra um próxima.

Finalmente cheguei no viaduto, exausto com os pés queimando. Já nem lembrava pra que direção deveria andar, pedi informação para uma mulher no ponto que me informou como deveria chegar a faculdade. mais 15 minutos de caminhada e estava no portão da faculdade, entrei e procurei pela sala, o relógio marcava 21:55. Achei a sala mas não tive coragem de entrar fiquei sentado na mureta ouvindo dali mesmo.

Dia desses irei pra são paulo a pé, essas coisas já estão ficando cada vez mais banais na minha vida. E quando acaba o passe? PQP. Lá vai eu treinando para maratona no final do ano.
Tenho até uma vontade de participar, só fico pensando na minha fantasia.

A minha cor é desfavorável a vitórias

Padrão