Vivi e aprendi

Acaso

Por acaso aquele caso de uma noite causou um estrago em casa.

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Vivi e aprendi

Capturar a alma

Quando inventaram as primeiras câmeras fotográficas, as pessoas tinham medo de serem fotografadas pois acreditavam que isso capturaria sua alma.
Fui eu então brincar de ser capturador de almas. Sem profissionalismo nem nada, até por que capturar a alma dos outros por profissão deve ser crime dos mais hediondos.
Eu sou estou aqui de brincadeirinha.

Fui descobrindo aos poucos, que aquelas pessoas tinham razão em parte.
Fotografar envolve a alma: a sua e a do objeto capturado.
Não é como comer miojo. Exije paciência, tempo, calma e alma.

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Crônicas, Smalltalks, Vivi e aprendi

Meu Ser sempre foi mais estado.

Por que Ser, é constante, é inerente a quaisquer alteração sofrida. Ser é para sempre.
E eu muito pelo contrário, estou. Estou em constante mudança, estou amando, estou triste e coisa e tal.
Não sou tímido, eu estava tímido naquela hora.
Não sou muitas coisas de que se tem noticiado por ai.

Sou poucas coisas, e poucas dessas coisas me dão orgulho.
Por isso a muito deixei de Ser, para todo os dias estar.

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Crônicas, Das idiotices do mundo, Senta que lá vem história, Vivi e aprendi

A vida adulta

E se, antes de botar a cabeça pra fora da barriga de nossa mães, antes que deixacemos de ser meros corpos em repouso e viessemos a nos tornar finalmente seres, e se antes de tudo isso, recebermos um manual, pequeno e descritivo de como seria cada fase de nossas vidas. Pense quantos problemas seriam evitados. Se ele existisse, esse manual, ele começaria contando sobre a primeira fase nossas vidas, mais ou menos assim:

“Um dia você vai finalmente botar a cabeça pra fora e dar uma espiadinha nesse mundo, não é bonito, não é simpático, mas você talvez acabe gostando. Nessa fase da sua vida, você conhecerá pessoas completamente bobas, por você, é. Então faça uso disse para receber mais e mais atenção, jogue sorrisos, bata palminhas, enfim, aproveite. Se você perceber que não vai ser nenhum famoso, será o momento em que você mais receberá atenção na sua vida…”

Eu lembro dessa fase, todos ficavam me olhando, eu era de parar o trânsito, xódozinho da mamãe que comia mamão sem parar, mas pra dizer a verdade a memória mais antiga que tenho é de quando roubaram meu velocípede, MEU VELOCÍPEDE cara.

PORRA!

O almanaque ilustrado com tirinhas da Mônica, ou melhor dizendo o Manual da vida, prossegue contando fatos sobre a infância:

“Não, você não vai ser jogador de futebol. Nessa época marota da sua vida você irá desenvolver funções complexas, como por exemplo sociabilizar com sua vizinha chata quando a bola cair na casa dela, mas essa é uma época em que você vai ter que aprender a ir para escola. Não adianta espernear, chorar ou até mesmo matar aula, hora ou outra você vai ter que entrar na escola, mas fique sossegado, isso só vai durar pra vida inteira.”

A vida não era difícil, entrar na escola também não foi traumatizante, mas não chegava a ser divertido também. Eu era um menino tímido que sentava nun canto que e se mantinha assim. O que não me impediu de arranjar uma namorada na segunda série. Namorada é modo de falar, por que o pedido consistiu em escrever na mesa dela se ela queria, com uma caixa pra ela poder marcar sim ou não. Agente ficava junto na hora do intervalo, e durou até eu vir pra Sorocaba.

Aqui eu jogava bola, saia correndo pra escola por que estava sempre atrasado, mas não passava do garoto magrelo com cabelo bagunçado, o típico garoto meio termo, que nunca se destacava em nada. Esse era eu, Esse Sou Eu.

O manual continua:

“Adolescência, puta que pariu. O antropocentrismo faz todo sentido pra você, as idas ao banheiro serão constantes. Você fica dizendo “quero ter pelos”, ai eles vem, e você agora só pensa em como se livrar deles. Os amores vão passar na sua vida tantas vezes quanto você corta o seu cabelo, ou cutuca o nariz, só depende de você.
Agora R$ 10,00 não tem o mesmo valor que tinha antes, mas um decote, ahhh isso vale muito mais que sua vida inteira, punheteiro do caralho”

Eu continuava o mesmo na adolescência, um grande babaca. As cagadas que cometi no primeiro ano são imensuráveis, e são tantas que nem compensam serem ditas aqui. Mas é claro que com os erros eu ia aprendendo, pelo menos com alguns deles, mas se antes eu era o carinha que sempre estava na média, agora eu começa a decair de mais, até que chegou o final do segundo ano e eu repeti.

E de novo no segundo ano, as responsabilidades só aumentaram, ensino médio de manhã, técnico a tarde e trabalhando, mas acho que eu consegui levar bem as coisas, voltei a ser o meio termo de sempre.

Cheguei então ao terceiro ano, eu querendo cada vez mais SER. Mas como diria Carlos drummond, o que é SER?

O manual diz algumas coisas sobre ser adulto:

“Te fudeu. Vai lá se apresentar ao exército, bater continência aos grandessíssimos oficiais do exército brasileiro. Vai encher a cara para tentar esquecer a ex-namorada, vai fazer tudo que der vontade na sua cabeça, mas não esqueça de avisar sua mãe, pois você ainda mora com ela, e sua grande vida adulta de merda não passa de mais um monte de responsabilidades e mais insegurança.
2 coisas que você pode fazer com 18 anos que talvez sejam úteis: Entrar num puteiro; tirar carta de motorista. 2 consequências: Pegar DST; bater o carro.
A vida adulta, a tal, a grande vida adulta é isso, liberdades que mais te trazem problemas do que qualquer outra coisa.
Se você espera encontrar nesse manual, ou que alguém lhe diga qual a fórmula para se ter uma vida de sucesso, você ainda não percebeu que a vida adulta é uma grande merda desconexa e complexa. Te vira.”

Apesar dos problemas, apesar das burradas, eu tenho algumas coisas do que me orgulhar. Ser adulto não é algo que acontece de uma hora pra outra, não dormi adolescente ontem e acordei adulto hoje, são uma série de fatores que te fazem entender que o antropocentrismo não faz tanto sentido assim, você tem pessoas vivendo ao seu redor, pessoas que dependem de você, que confiam em você, e decepciona-las é um sinal de que você ainda não está totalmente pronto pra encarar sozinho esse pequeno mundo, cheio de nervos.

Me pego olhando pra trás, e penso “porra, quantos ônibus eu já peguei, quanto eu já gastei com passe de ônibus, salgados e outras coisas”.

Acreditem, todos vocês de alguma forma foram/são importantes para eu ser quem eu sou, seja isso bom ou não.

Obrigado,

@franlucas_ @RafaPradoF @Raulzito_Moura @Carlootz @F_Calobrizi @Nicoletchi @FerFCL  @maferreiira @ericamayumi  @eee_paloma

E a todos outros que por algum motivo não estão aqui, mas sabem que são especiais.

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Ninguém quer ser o que todo o mundo pode ser

Trabalho de português

É noticia corrente nos meios de comunicação o apelo das grandes indústrias por trabalhadores qualificados, são diversos setores que disputam por pessoas que estejam qualificadas mas não  a encontram. Este se torna então um dos grandes paradigmas da sociedade capitalista, pois em um mesmo lugar onde se vê uma grande oferta de empregos podemos ver também pessoas que ainda não encontraram empresas que possam oferecer oportunidades de trabalho.

Essa revolução se torna então uma faca de dois gumes, e alvo de muitos debates sobre desvalorização da mão de obra e desenvolvimento da economia. Mas por que então um efeito tão atípico como a falta de mão de obra acontece?

As respostas vêm conforme entendemos os processos de transformação do conhecimento das gerações, já que se a cada revolução industrial novos setores e novos cargos são criados, os que já existem há algum tempo entram em certa discriminação por parte das novas gerações. Acaba então que os novos profissionais desejam cada vez menos ser o que todo mundo pode ser, mesmo que essas profissões ofereçam salários cada vez melhores. As pessoas ficam relutantes a assumir cargos como os de pedreiro, gari ou até mesmo agentes de produção, os tais apertadores de botão. Não se vê noticias de falta de mão de obra na área de informática ou relacionadas a engenharia.

A mecanização do trabalho tirou diversas pessoas de seus cargos, mas essa mesma mecanização transformou uma geração de pessoas que não querem de forma alguma assumir cargos que não estejam relacionados a nova onda tecnológica ou que lhes obriguem a desenvolver funções de cunho braçal, assim como é o caso da construção civil, setor em franco crescimento mas que sofre com esses tais problemas.

Com o passar do tempo novos cargos serão criados, e antigas funções irão entrar em colapso. A mecanização poderá vir a suprir toda essa necessidade, ou talvez a intenso trabalho das mídias de repopularizar essas funções dê resultado. O que não devemos é esperar que jovens tenham sonhos ditos como medíocres para sustentar uma sociedade estatal cada vez mais decadente, esses jovens sempre estarão a sonhar alto, e esses antigos cargos sempre serão vistos com menosprezo.

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Vivi e aprendi

A new song by aranha

Nunca fui fã de música eletrônica, há que se dizer que aqueles bit bit eram completamentes alheios ao meu gosto musical, e continuam sendo. Mas há também de se reconhecer o talento de alguém, e esse alguém é o Aranha.

Essa a última música mostra de forma abstrata a fase em que estamos vivendo, mudanças, descobrimentos entre outras coisas. O nome dela é “Future old memories”, ritmo leve, característica do aranha. Escutem:

A arte como da outra vez foi eu quem desenvolveu:

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Vivi e aprendi

Back & Forth

Então eu decidi voltar, não sei o que me fez voltar, nem o que me fez parar.

Não importa, finalmente eu decidi voltar. Os textos vão acontecer, vão ter aquela frequência incerta mas vão vir. No estilo de sempre, subjetivo e sarcástico, sempre inspirado por Drummond, José Saramago, snoppy e outros.

A aparência vai mudar conforme o wordpress libera mais temas. Pretendo daqui uns tempos tmbm lançar meu portfolio no ar, ai a aparência e   o endereço tmbm vão mudar, mas são planos ainda.

Enfim, creio que vá dar tudo certo.

Ah, agora todo post tem uma música, a de hoje é a que leva dá o nome ao post: Back & Forth – Foo Fighters, do ultimo álbum o wasting light.

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Crônicas, Vivi e aprendi

Un buen ladrón

“A felicidade, só nos leva a fazer cagada”
Já dizia o bom e velho professor Neucy.

Faz algumas semanas que isso me ocorreu já, mas vale a pena contar.
Como a maioria dos leitores daqui sabem(eles realmente existem?), eu sai do Divert Park.
Aconteceu assim: Uma criança veio gritando, joguei refrigerante nela, meu patrão veio gritando comigo, mandei ele tomar no furebes, virei uma mesa, abaixei as calças e sai correndo.

Doce devaneio.

O que aconteceu de verdade é que eu arrumei um estágio em uma das maiores clinicas de recuperação de dependentes químicos, não, eu não fico na ambulância pegando os drogaditos. Eu auxilio o Web designer em várias atividades.

(Atente-se aos fatos a seguir, e veja como tudo poderia ter sido evitado)
Terça-feira. Primeiro dia de trabalho, nada muito interessante mas eu estava super-animado. Às 6 horas fui dispensado, me ofereceram carona, mas eu encontraria com um amigo para ir ao shopping, então recusei a carona¹. Ia caminhando todo serelepe pimpão, mas tive que correr pois começou a garoar².

Até que um carro branco  (um peugeot ou corsa), para ao meu lado e de lá de dentro um homem me chama, pergunta onde fica uma avenida, eu disse a ele que era só seguir em frente que logo chegaria. O homem me perguntou para onde eu estava indo, disse que ia até o ponto final do ônibus.

– Você não quer uma carona? Perguntou o homem e eu comecei a achar que era o melhor dia da minha vida.

Estava chovendo, ainda faltava um bom pedaço para eu caminhar.

– Por que não?³

Entrei no carro, e ele voltou a perguntar como fazia, disse que era só ir reto. Andamos mais um pouco, quando estavamos próximos ao local onde eu iria descer ele virou para uma avenida dizendo que tinha apenas que fazer o retorno. Nesse momento as coisas ficaram estranhas, por que na verdade ele não precisava fazer retorno nenhum, e depois eu acabava de perceber que o homem tinha um GPS no carro. Mas até ai eu estava longe da chuva e recebendo carona.

Andamos mais um pouco na avenida, ele calmamente olha para mim e anuncia:

– Isto é um assalto.

Reação numero um: Querer dar muita risada. Reação numero dois: Esperar ele falar que era tudo brincadeirinha.

Bem, ele não falou que era brincadeirinha. Disse que eu tinha que passar o celular e meu dinheiro para ele, e que ele não me faria mal algum.
Dei o meu celular, ele olhou e perguntou do dinheiro.

– Eu tenho R$12,00.
– Ummm, ah, pode ficar pra você ir embora.

Não é um amor de pessoa?

Perguntei se ele não poderia me deixar ali mesmo, já que estava chovendo e estava longe.

– Vou te deixar em um lugar bem bacana.

Ai foi que bateu aquele medo, só faltava agora o cara me deixar no meio do mato.
Mas como eu disse, ele era gente boa, deu meia volta com o carro, e andou com o carro até a avenida que tinha me pegado, e é claro me deixou perto do ponto.
Só faltou me perguntar se eu não queria uma blusa de frio.

Procurei o meu amigo. Ele tinha dito que me esperaria no ponto final do ônibus, mas ele não estava lá.

Talvez a minha boa fé nas pessoas tenha diminuindo um pouco,  talvez eu tenha sido um grande idiota, ou ainda, eu estou certo de confiar nas pessoas. Mas de fato a segunda opção é a mais correta.

¹ Eu poderia ter pegado a carona
² Poderia não estar chovendo
³ Eu Obviamente deveria ter recusado a carona de um estranho

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