Crônicas

Toalha Xadrez

Quando convido alguém para um piquenique, é quase como uma declaração de amor.
É um convite a se desligar de uma rotina por vezes caótica. Olhar o mundo com outros olhares e perspectivas.
A grama verde e o céu azul, contrastam-se com a típica toalha amarronzada. Sobre ela normalmente tem suco, bolo e pão. O que não pode faltar são boas risadas, memórias gostosas e os diversos sons da natureza.

Às vezes esquecemos de olhara para as coisas simples do dia a dia e não percebemos que a felicidade pode estar em outros padrões, de vida e de tecido.

Originalmente publicado na Viva Melhor – Clínica Viva

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Mesa

Mesa VI

troquei a mobília e alguns sentimentos. troquei as certezas e alguns olhares.
troquei uns dizeres, umas figurinhas e uma carta.
fui trocar você, pois já não me servia mais, mas a garantia já havia terminado.
agora não sei se te coloco à venda ou se te coloco na calçada para alguém levar.

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Vivi e aprendi

Capturar a alma

Quando inventaram as primeiras câmeras fotográficas, as pessoas tinham medo de serem fotografadas pois acreditavam que isso capturaria sua alma.
Fui eu então brincar de ser capturador de almas. Sem profissionalismo nem nada, até por que capturar a alma dos outros por profissão deve ser crime dos mais hediondos.
Eu sou estou aqui de brincadeirinha.

Fui descobrindo aos poucos, que aquelas pessoas tinham razão em parte.
Fotografar envolve a alma: a sua e a do objeto capturado.
Não é como comer miojo. Exije paciência, tempo, calma e alma.

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Medidas paliativas para um mundo melhor

Mentir mil vezes

Segundo Joseph Goebbels, uma mentira contada mil vezes, torna-se verdade.
Ora, por que não começamos então a contar boas mentiras? Se o fato de acreditar em algo já é suficientemente capaz de iniciar uma mudança, seja ela de pensamento ou de comportamento, vamos então começar a espalhar boas notícias por aí.
A gente pode começar devagarzinho. Vamos falar umas mil vezes que a segunda-feira nem é tão ruim assim, que nem precisamos de tantas coisas como a gente acha que precisa.
Depois a gente pega pesado. Repetiremos exaustivamente que todo ser humano é bom, que não há mais preconceito nem miséria. Desse dia em diante, a corrupção virou passado! Vamos gritar isso, que tal?

A humanidade tem feito esforços cada vez mais contundentes para provar que não somos bons. Tenho a impressão que às vezes perdemos a fé em nós mesmos, que estamos deixando o navio navegar sozinho para ver onde vai dar. Ao que tudo indica, se não fizermos nada, esse navio vai bater em um iceberg.

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Mesa

Mesa V

Durmo sozinho, não dou boa noite pra ninguém.
Na geladeira, metade de uma cebola e um coração frio.
No microondas, chá e uma cabeça quente.

No quarto minha cama de meio-solteiro,
em cima da mesa as cartas que você não mandou.

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Das idiotices do mundo

Você vai ficar desempregado

Não nesta década.

A afirmação kafkaniana do meu professor de estatística me fez pensar sobre as possibilidades de tais fatos, e se tal afirmação, baseada na premissa dita por ele (de que quem não sabe estatística ficará desempregado), realmente teria fundamento.

O mundo não é preto no branco

Ter conhecimento em diversos assuntos, até mesmo assuntos que não abranjam sua área de atuação é de fato um dos fatores mais importantes para conquistar e manter um bom emprego. O mercado procura hoje profissionais multi-capacitados, com diversas experiências e óbvio, uma ampla bagagem cultural.
Mas até que ponto devemos expandir nossos conhecimentos em busca da melhor posição dentro de uma empresa?

A questão baseia-se em algo um tanto quanto supérfluo que é o nível de aprofundamento em estatística que os alunos de publicidade e propaganda são submetidos.
Em tom de brincadeira disse ao meu professor que eu não iria usar aquilo na vida profissional, pois iria ser diretor de arte.
Segundo ele eu iria ficar desempregado pois iria ser substituído por alguém mais competente.

O mundo é feito de 1.000 pessoas que obedecem, e 1 que manda. Quem você quer ser?

Bela citação do meu professor, como se a vida fosse realmente assim.
Mandar e ser mandado é uma questão que daria um outro extenso post.
Concordo quando ele diz que quem não estuda, fica para trás. Acontece que eu estudo, e não é pouco. Só não estou disposto a aprender de forma tão aprofundada uma matéria que pouco ou nada usarei no ramo profissional. Para o mercado publicitário, pouco importa se você é bom em química, ou em biologia por exemplo.

Um pouco de foco

A geração atual cresce cada vez mais com esse estigma de que devemos ser bons em tudo.
Seja ágil, seja criativo, seja produtivo, conheça esta e aquela ferramenta, esta linguagem e também esse padrão.
É claro que a gente deve sair um pouco fora da caixa, e se tornar de vez em quando pau pra toda obra. O problema é que ser pau para toda obra o tempo inteiro, poderá acabar fazendo de você prego na areia. Um profissional que faz de tudo, mas não faz nenhuma das coisas bem feito, será sumariamente eliminado com o tempo.
Então, antes de sair aprendendo tudo o que vê pela frente, dedique-se a algo e se possível, seja especialista no assunto.

Uma das regras de marketing que vale para vida é: Segmentar é poder.
Especialize-se na sua área de atuação e obtenha conhecimentos sólidos nas áreas que circundam-no.
Porém, permita-se não saber de algo que não seja de extrema de relevância.
Você pode economizar muito tempo e frustrações deixando de lado pequenas  contas inconveniências da vida.

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Sem categoria

The Newsroom

newsroom

I agree

A série exibida pela HBO que mostra o dia-a-dia de um telejornal no horário noturno, criou em mim uma certa identificação com os principais personagens masculinos, Will Macvoy, âncora do News Night e Jim Harper, produtor sênior do programa.
Identificações essa que eu irei comentar aqui.

Ambos tem várias características distintas e modos de pensar um pouco diferentes, mas são comuns em uma coisa: Tentar fazer a coisa certa mas do modo errado. E é aí que eu me encaixo.

Will é o chefe da brincadeira, e sua postura é como tal. Obcecado pelo trabalho e pela perfeição que as coisas devem ser executadas. Ele mescla arrogância com senso de justiça. “On a mission to civilize” diz ele quando tenta convencer outras pessoas que o que está dizendo é correto. O âncora não mede esforços para provar que seu ponto de vista está certo, e se tiver que proteger alguém, Will veste sua capa de super-herói.
Mas isso muitas vezes acarreta em problemas com seu relacionamento mal resolvido com a produtora executiva, Mac. Ele que fora traído no passado por ela, nega que qualquer sentimento ainda exista nele, apesar de ser notório em seu olhar.
Eu vejo muito de mim nele, principalmente na sua responsabilidade com o trabalho e o modo como tenta concertar as coisas, mas que apesar dos esforços, acaba dando errado na maioria das vezes.

Jim, assim como Will é aficionado pelo trabalho e competente no que faz, e por isso tem um cargo elevado no programa. Mas Jim, pobre Jim. Ele é um azarado, e é um changeman.
Ele foi apresentado à Maggie logo no início da série, e induzido a ficar/ se apaixonar por ela. Maggie namora o outro produtor sênior.
Jim tem um jeito tímido de conduzir os relacionamentos, ele não vê problema em levar um dia, uma semana ou meses para ficar com a garota que começou a desejar meio sem querer.
O namoro de Maggie está em uma ruína constante, e Jim se apoia nisso para a chegada do seu “momento”. No meio disso ele se envolve com a melhor amiga de Maggie, e reverter esse erro será complicado.
Ele é sempre sincero com seus sentimentos, e deixa claro para Maggie o quanto gosta dela. Jim não faz joguinhos sentimentais, ele dá o respeito que as mulheres merecem ter.
Ele, assim como eu, acredita em um mundo mais sincero, sem tantas complicações e empecilhos. Jim acredita que a felicidade deve estar acima de tudo.

Bem, Jim ficou uma vez com Maggie e apesar das expectativas criadas, eles não voltaram a se relacionar. Acontece.

As pessoas têm muito a aprender com os dois personagens e com o resto deles também. Eu tiro uma lição a cada episódio, e tenho a esperança de quem assiste qualquer ficção, de que as coisas vão dar certo. Tanto para Jim e Will, quanto para mim.

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