Crônicas

Guarda-chuva

Você estava sentada de frente para sua amiga e eu encostei ali por perto.
Deixei minha mochila no chão e pendurei meu guarda-chuva na grade. O ônibus cheio de gente e de barulho.

Seu cabelo esculpido ao vento, seus olhos âmbar e o piercing no nariz. Nada disso chamava tanta atenção quanto o desenho da coruja gravada na pele do seu peito.
Eu tive certeza que pecado tinha alguma coisa a ver com aquilo.
Você curvada para sua amiga. Seu decote cada vez mais generoso.
Meus olhos percorrendo tudo aquilo, vendo sua tatuagem, a curva dos seus seios. Imaginei o resto que não estava a mostra.
Coloquei alguma música na esperança de que meu gosto musical chama-se sua atenção. Nada.

O ônibus chegou no ponto da faculdade, peguei minha mochila e desci, pensando se veria novamente, você, sua amiga e a coruja.

Só mais tarde, me dei conta de que havia deixado meu guarda-chuva no ônibus. Bosta.

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