Medidas paliativas para um mundo melhor

Sentidos

Depois de algumas tentativas de eleger um novo sentido para os seres humanos através dos dramas e filmes de ficção cientifica, decidimos em vida real que era hora de parar de usar alguns deles. Talvez com a intenção de nos poupar energia e usá-la de maneira mais eficaz, ou quem sabe seja por pura preguiça mesmo.

Deixar de usar é um termo meio dramático demais. Eu poderia recolocar dizendo que na verdade estamos usando menos e de maneira diferente.
A superfície irregular das costas de nossos amigos que sentimos ao abracá-los, foi trocada por uma superfície plana de vidro. As batidas do coração que sentíamos vindo com intensidade do outro lado, tornaram-se vibrações mecanizadas.

Foi se o tato que de fato sentia alguma coisa. Já não sentimos mais odores e perfumes de farmácia. Nos limitamos a uma tonelada de informações visuais e auditivas que, diariamente, não transmitem nenhum tipo de emoção.

Caminhamos a passos largos para grandes inovações tecnológicas, mas estamos com cada vez mais dificuldade de dar pequenos passos para ver quem a gente gosta.

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